Botucatu - Equipes da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru) realizaram, na madrugada de ontem, no Hospital das Clínicas (HC), o primeiro transplante de fígado, depois que a instituição foi credenciada para execução do procedimento pelo Ministério da Saúde.
Segundo informou a assessoria de imprensa do HC, a receptora do órgão foi uma menina de 11 anos que estava internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica. Ela entrou no Centro Cirúrgico anteontem, às 20h30, e logo foi submetida à anestesia.
A cirurgia de transplante prolongou-se até as 8h30 de ontem, num total de 12 horas ininterruptas de trabalho. Logo após o procedimento, a paciente foi novamente transferida para a UTI Pediátrica onde está tendo a evolução pós-operatória acompanhada. O órgão transplantado foi captado em Sorocaba.
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, recebeu o credenciamento em setembro, por meio da Portaria 259 da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde.
O mesmo ato identificou os profissionais que compõem a equipe médica especializada do HC/FMB/Unesp para os procedimentos de retirada e transplantes dos órgãos.
O responsável técnico indicado pela portaria foi o cirurgião gastroenterologista, Alexandre Bakonyi Neto. Cerca de 40 especialistas fazem parte da equipe.
Além de Botucatu, o procedimento é feito apenas em outras quatro cidades do Interior paulista: Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Campinas e Sorocaba.
De acordo com Bakonyi Neto, a reitoria da Unesp investiu cerca de R$ 300 mil na infra-estrutura do local, para que o HC estivesse apto a realizar o procedimento.
Segundo ele, o hospital está preparado até mesmo para realizar transplantes em caráter de urgência. Além do fígado, o HC de Botucatu realiza também transplantes de córnea, rim e pâncreas.
Em entrevista ao JC, recentemente, Bakonyi Neto informou que o Estado de São Paulo realiza, em média, cerca de 100 transplantes de fígado por ano.
Segundo ele, das 40 equipes médicas credenciadas para fazer o procedimento no Brasil, 34 estão concentradas em São Paulo, sendo que apenas cinco estão no Interior do Estado. Ou seja, uma equipe para cada cidade credenciada para o transplante.
No Estado, de acordo com o cirurgião, existem atualmente duas centrais que gerenciam a lista de espera por transplante de órgãos. Uma delas atende a Capital e o litoral paulista e a outra, localizada em Ribeirão Preto, atende o Interior.
De acordo com o cirurgião, a central de Ribeirão Preto tem cerca de 650 pacientes na lista de espera por um fígado. Na Capital, o número chega a 2.300. O tempo médio de espera na fila para um transplante é de 24 meses.
No Brasil esse tipo de procedimento é custeado pelo Ministério da Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
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Complexo
O transplante de fígado é considerado um procedimento cirúrgico de alta complexidade que exige equipamentos sofisticados e o envolvimento de uma equipe médica multidisciplinar.
A cirurgia consiste na retirada do órgão doente do paciente para a colocação de um fígado saudável, extraído de um doador com morte encefálica confirmada. O procedimento também pode ser realizado a partir de um fragmento do figado do doador vivo (transplante intervivos). Essa modalidade ocorre fundamentalmente em casos de pacientes que são crianças e o grande diferencial é que o receptor não precisa aguardar na lista de espera.
O transplante de fígado é indicado quando todas as outras terapias foram consideradas ou excluídas. Nesses casos, em geral, o procedimento constitui-se na única alternativa de sobrevivência ou melhoria da qualidade de vida dos doentes.