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HB quer reabrir hemodiálise segunda

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O Hospital de Base (HB) anunciou que quer reabrir na segunda-feira a unidade de hemodiálise, que está fechada desde o início do mês passado após alguns pacientes reclamarem de mal-estar durante as sessões. A data foi acertada em reunião entre a Direção Regional de Saúde (DIR-10) e a equipe da hemodiálise do hospital, ontem à tarde.

A expectativa de José Cardoso Neto, administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que mantém o Hospital de Base, é que os renais crônicos de Bauru que atualmente estão sendo atendidos em cidades mais distantes, como São Carlos e Piracicaba, já possam fazer a diálise na própria cidade segunda-feira.

Affonso Viviani, dirigente da DIR-10, explica que na reunião de ontem todos os procedimentos rotineiros de segurança foram checados e o HB está autorizado a retomar o serviço. Esses procedimentos incluem desde o tratamento da água até o manuseio de pacientes.

Cardoso Neto diz que a única pendência para iniciar o atendimento é a apresentação de documentos em conformidade com as normas de segurança para o serviço, o que começou a ser feito ontem, e a adoção de outras precauções de rotina, como maior entrosamento dos funcionários da hemodiálise com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do hospital. “Se Deus quiser na segunda voltamos a atender e acabaremos com o drama desse povo sofrido, que está precisando viajar para fazer diálise”, diz.

Após as queixas de alguns pacientes, que sentiram calafrios e mal-estar nas sessões de diálise, a direção da Hospital de Base suspendeu o serviço de hemodiálise. Análises da água usada no processo revelaram a presença de uma bactéria, que se formou em alguns pontos das paredes da tubulação. Após a divulgação dos resultados, a tubulação foi trocada.

Novos exames foram feitos na água coletada após passar pela tubulação e não indicaram mais a presença de bactéria. Porém, técnicos das vigilâncias Epidemiológica e Sanitária da DIR-10 apontaram a necessidade de rever todas as normas e procedimentos de segurança de rotina adotados pelo setor de hemodiálise.

“Todos os procedimentos de segurança e normas foram revistos. Isso concluído, associado aos laudos dos exames bacterológicos da água, que se mostraram aptos, permitiram a liberação do serviço”, frisa Viviani. Mas ele frisa que o hospital precisa validar os procedimentos de segurança, o que começou a ser feito. “Acreditamos que isso possa ser feito até sábado e na segunda-feira o serviço seja reiniciado”, diz Cardoso Neto.

As vigilâncias Epidemiológica e Sanitária da DIR vão visitar periodicamente o setor de hemodiálise a partir da reabertura do serviço, segundo Viviani. “As equipes vão checar os procedimentos de segurança na prática quase que diariamente, em momentos que julgarem mais oportunos”.

Já a qualidade da água será monitorada pelo HB. Cardoso Neto conta que na primeira semana as avaliações serão feitas diariamente. O HB contrata serviço de um laboratório especializado para a análise bacterológica e de metais pesados na água.

Investigação

Desde o fechamento da hemodiálise, os cerca de 100 renais crônicos atendidos no setor foram encaminhados para hospitais da região. Desde que os primeiros pacientes passaram a reclamar de mal-estar durante as sessões, pelo menos quatro deles morreram.

A causa das mortes, se estão ou não relacionadas com a bactéria encontrada na água, está sendo investigada pela polícia. O delegado Marcelo Haddad do 3.º Distrito Policial (DP), já concluiu a fase de depoimentos de parentes de pacientes e responsáveis pelo setor de hemodiálise.

Agora, ele quer confrontar as fichas clínicas solicitados ao hospital com os laudos do Instituto Médico Legal (IML).

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