Em um passado não muito distante, os consórcios eram freqüentemente associados a “picaretagens” e “cascatas”. Hoje em dia, já com a credibilidade em alta após passarem por uma “depuração” natural do mercado que separou boa parte do “joio do trigo”, eles constituem-se em uma maneira atraente e acessível para adquirir uma variedade enorme de bens, como os automóveis.
Apesar da “limpeza” efetuada no segmento, coordenada principalmente pelo Banco Central do Brasil, órgão normatizador e fiscalizador do exercício da atividade pelas administradoras no País, ainda é preciso tomar uma série de cuidados a fim de que as promessas de um veículo - zero ou usado - na garagem não se transformem em terríveis pesadelos.
É o que ressalta Eduardo Ferraz de Campos Salles, diretor da Bauru Administradora de Bens. “O consumidor tem de se conscientizar que estará assumindo um compromisso por um longo tempo. Desta forma, é essencial pesquisar a fundo antes de fechar qualquer negócio”, adverte.
Para ele, a primeira - e principal - providência a tomar é checar a idoneidade da administradora. Segundo Salles, tal procedimento é fundamental para se identificar “falsos” consórcios, considerados o grande problema do mercado atual do setor. “Como em toda atividade comercial, há os bons e maus profissionais. É preciso atenção”, ressalta.
Por isso, Salles recomenda que o consumidor consulte a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac) e o Banco Central. “É importante a pessoa ter em mãos a razão social da empresa, pois a verificação dependerá deste fator. Só assim é possível saber se a administradora é credenciada junto ao BC”, orienta.
Outra precaução é informar-se no Procon da existência de eventuais processos ou queixas contra a administradora do consórcio que se pretende contratar. “É um meio adicional do consumidor sentir-se ainda mais seguro”, enfatiza Salles.
Agindo assim, acrescenta o diretor, a possibilidade do surgimento de futuras dores de cabeça diminui. “A chance é muito menor, mas o consumidor precisa saber com quem está entrando em um consórcio para diferenciar os que atuam de maneira legal dos oportunistas”, frisa.
Mas, conforme Salles, ainda há outras maneiras de identificar negócios suspeitos. Segundo o diretor, não existe administradoras de consórcios sérias que não estejam informatizadas ou que não sejam auditadas permanentemente. “Das pequenas às grandes, elas têm de enviar via computador relatórios freqüentes ao BC e sofrer fiscalização constante. Não há nada manual”, explica.
Outro indício, segundo o empresário, são as promessas verbais que asseguram determinada data de contemplação. “Não há condições de se dizer isto ao consumidor, pois tal decisão só pode ocorrer através de sorteios realizados na presença dos que compõem o grupo do consórcio”, esclarece.
Apesar disso, para ele, atualmente, os negócios envolvendo consórcios estão amparados em credibilidade concreta. “Há alguns anos, eles freqüentavam apenas as páginas policiais. Depois, passaram para as de economia e hoje ocupam as capas por sua representatividade”, diz.
Segundo Salles, os consórcios já estão presentes no Brasil há mais de 40 anos, período em que enfrentaram - e superaram - as sucessivas crises econômicas do País. “Prova disso e da atual imagem sólida deles no mercado é a entrada dos bancos no segmento”, pondera. “Houve um saneamento na atividade e o BC foi regulamentando. Então, por que optar por algo não credenciado?”, questiona.
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Dúvidas
Segundo o diretor da Bauru Administradora de Bens, Eduardo Ferraz de Campos Salles, há dúvidas sobre o mercado de consórcios que devem ser esclarecidas.
As mais comuns envolvem a presença ou não de juros nas prestações mensais. Nesse sentido, Salles é taxativo. “Não há juros. O que ocorre é o reajuste das parcelas quando os veículos sobem de preço. Se isso não for feito, o consumidor não conseguirá pegar o carro do ano em que for contemplado”, justifica.
Outra questão que sempre gera especulações negativas é sobre o destino do dinheiro. “Os recursos que vêm para o grupo são carimbados, ou seja, vão para uma conta separada e só podem ser movimentados em condições extremamente específicas e limitadas. Já a taxa de administração, importância discriminada nas prestações, posso mexer como quiser, uma vez que é meu ganha-pão”, compara o empresário.
Salles explica, ainda, o objetivo da existência dos seguros nos consórcios, item opcional nos contratos. “Ele serve como garantia ao consumidor, pois é formado por uma união de seguradoras que fornecem aval às administradoras e que, além do BC, as auditam mensalmente”, conclui ele.