Geral

PM retomará blitz na Getúlio Vargas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A chegada do calor e a previsão de aumento na concentração de veículos e pessoas na avenida Getúlio Vargas aos finais de semana fazem com que a Polícia Militar (PM) planeje reeditar, ainda neste mês, a operação realizada no local durante o final do ano passado e que resultou em centenas de autuações.

O comandante da 4ª Companhia da PM, capitão Nelson Garcia Filho, afirma que a intenção é utilizar o mesmo esquema adotado em 2002. “Havia dois problemas principais no local, que eram o pessoal que estava se aglomerando na calçada e o trânsito moroso. Fizemos a operação em quatro finais de semana e solucionamos essas questões durante três meses, mas agora temos o verão e os problemas aumentam”, diz.

O comandante da Base Comunitária Sul da PM, tenente João da Costa Duarte, acredita que as blitze são a melhor alternativa para coibir atos de vandalismo e brigas na avenida. “Elas têm surtido resultado quando são feitas de forma efetiva”, declara.

Ele lembra que uma viatura da base tem feito fiscalização periódica entre as quadras 9 e 12 da Getúlio Vargas nos períodos de maior movimento, às sextas-feiras e sábados à noite, e aos domingos a partir do final da tarde. A orientação dada aos policias é que eles mudem de quadra a cada hora.

O anúncio da retomada das blitze vai de encontro às reclamações de comerciantes e moradores da Getúlio Vargas. O proprietário de um estabelecimento comercial na quadra 10 da avenida, Jefferson Previero, afirma que os transtornos são verificados principalmente aos domingos. “O maior problema é o vandalismo e o fluxo de pessoas”, diz.

Ele calcula que perdeu 80% dos clientes que costumavam freqüentar o estabelecimento neste dia. â€œÉ muito difícil que um casal que se arrisque a ir até lá volte em outra oportunidade. O que ainda me dá sustentação nas noites de domingo é o serviço de disque-pizza. Por respeito a essas pessoas que ligam, estou abrindo”, revela.

Apesar da situação, ele afirma que não pensa em deixar o local. “Não concordo com o ditado que prega que os incomodados que se mudem. Nós estamos ali há bastante tempo, geramos empregos e pagamos nossos impostos”, declara.

Previero tenta articular, já há alguns meses, a criação de uma associação que possa reunir os comerciantes da avenida, mas a entidade ainda não saiu do papel.

Outro comerciante da quadra 10 da Getúlio Vargas, Carlos Arthur Serrano Vieira, diz que está cansado de lutar contra os problemas causados pela aglomeração de pessoas. “O nosso contrato vence em abril, e daí em diante pretendemos sair da avenida. Estamos até procurando outro lugar, porque aqui não tem condições. É um mico”, justifica.

Ele conta que já diminuiu o horário de funcionamento da loja para evitar confusões. “Ficamos fechados aos domingos e antecipamos o fechamento às sextas-feiras e sábados para 22h. Foi péssimo para a gente, porque o nosso público gostava de ficar até mais tarde ou vir no domingo”, diz.

Enquanto o comerciante planeja a mudança, uma ex-moradora da avenida, que pediu para não ter o nome revelado, já tomou essa atitude. “O barulho e a movimentação pesaram na decisão. Recebemos uma boa proposta pela casa e resolvemos antecipar a saída”, relata.

Polícia sugere medidas de apoio

Além das blitze, o comandante da Base Comunitária Sul da Polícia Militar (PM), tenente João da Costa Duarte, acredita que quatro medidas poderiam ser adotadas para amparar os policias durante o trabalho de fiscalização. “Os projetos de lei sobre proibição de estacionamento e autuação de veículos que estão com volume do som alto, o monitoramento através de câmeras e a melhoria da iluminação”, diz.

A restrição de estacionamento e o monitoramento por equipamentos de vídeo também são defendidos pelo presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, Primo Mangialardo. “Não há condições para policiar o tempo todo. Precisaria colocar um efetivo somente para isso”, justifica.

A assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) descarta a instalação de câmeras na av. Getúlio Vargas, alegando que não é possível utilizar recursos das multas de trânsito para fazer o serviço, como foi sugerido, pois elas teriam, neste caso, a função de monitorar a segurança pública, e não o trânsito.

Quanto à proibição de estacionamento durante os finais de semana nos horários em que há maior movimento de pessoas na avenida, a assessoria de imprensa da Emdurb diz que a decisão não pode ser adotada, porque também iria prejudicar os comerciantes do local.

O vereador João Parreira (PSDB), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que sugeriu o projeto de lei que prevê multas para quem estiver com o volume do som do carro excessivamente alto, diz que a proposta está aguardando um parecer da consultoria jurídica da Câmara.

Caso seja aprovada, o comandante da Base Sul da PM acredita que terá um trunfo importante para coibir o problema.

Com relação à venda indiscriminada de bebidas alcoólicas na avenida, outro ponto bastante criticado por comerciantes e moradores, a secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, afirma que fiscalizações periódicas têm sido feitas no local.

Comentários

Comentários