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"Não bebo nunca mais", diz motorista

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Há cerca de dois anos, o motorista Sérgio (nome fictício) dirigia um Fusca na avenida Nações Unidas, próximo ao viaduto da rodovia Marechal Rondon, quando tentou fazer uma conversão e acabou subindo no canteiro central. “Eu tinha tomado uma cerveja e me recusei a fazer o teste do bafômetro”, relembra.

O motorista conta que foi, então, encaminhado para realizar o exame clínico e, embora defenda que não estava alcoolizado, o médico indicou o estado de embriaguez. “Eu quis fazer um movimento em direção ao solo para provar que estava bem, mas ele não entendeu assim”, diz.

A imprudência custou a ele uma pena alternativa de três meses, que começará a ser cumprida em breve, e uma lição para o resto da vida. “Acho que bebida com volante não combina. Para evitar outros problemas futuramente, decidi que não bebo nunca mais e já estou cumprindo a promessa há um ano e meio”, declara.

A avenida Nações Unidas, aliás, é indicada pelo comandante da 4ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Nelson Garcia Filho, como um dos pontos mais perigosos do trânsito noturno em Bauru, especialmente no trecho entre o viaduto da rodovia Marechal Rondon e o Hospital Estadual.

No início da manhã do último domingo, um acidente na quadra 51 da avenida matou o motorista de um automóvel Corsa e deixou outras três pessoas gravemente feridas. “Foram apreendidas várias garrafas e latinhas de cerveja. As vítimas disseram que estavam vindo de uma festa”, relata o comandante da Base de Trânsito da PM, tenente Jorge Luís Dias.

Pontos críticos

Outros locais indicados pelo capitão Garcia Filho como sendo perigosos são as avenidas Getúlio Vargas e Marcos de Paula Raphael, o cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Rubens Arruda e o trecho final da avenida Castelo Branco, próximo ao acesso para Piratininga.

O estudante Danilo Andrade, que mora na quadra 38 da avenida Castelo Branco, afirma que é comum encontrar veículos transitando em alta velocidade pelo local. “À noite, o pessoal abusa mais e tem um trevo que é perigoso”, relata.

Segundo ele, os moradores da região procuram tomar cuidado ao atravessar a avenida. “Quando você vê o carro apontando, fica preocupado, porque a maioria vem em alta velocidade”, diz.

Ele conta que nem mesmo a polícia escapa dos perigos daquele trecho. “Já presenciei uma viatura que estava indo para Piratininga e acabou batendo em um carro”, afirma.

Apesar dos pontos críticos apontados pela PM estarem concentrados em avenidas, os acidentes de trânsito noturnos também ocorrem em vias secundárias. Um deles envolveu um cobrador de ônibus, que pediu para não ter o nome revelado. Ele seguia para o trabalho no final da madrugada quando foi atingido por um carro na rua Nilo Peçanha, na Vila Souto.

Segundo o cobrador, o veículo não respeitou o sinal de pare. Os quatro ocupantes retornavam de uma festa e prestaram socorro ao motociclista, o que fez com que ele optasse por não acionar a Justiça.

A vítima sofreu fratura em um osso do pé e precisou engessá-lo, ficando afastada do trabalho durante um mês.

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