... por ser magistral, a iniciar-se pela ordem alfabética, tanto quanto cronológica, ele foi indiscutivelmente, o esplendente nome de todos os tempos em suas diversificadas atividades e em todos os rincões do nosso país, e por que não do denominado planeta Terra, onde era disputadíssimo, principalmente na capital mundial do cinema, ou seja, Hollywood e Brodway, onde recusou-se a residir, não obstante a fortuna que ganharia a convite de W. Disney, e cujos contatos eram feitos através do consultor de ambos, Aloisio de Oliveira, que era o líder do “Bando da Lua†e que acompanhava Carmem Miranda. Ary enviava seus trabalhos musicais para inserção nos desenhos animados de Disney. Ary Barroso limitou-se a viajar para contatos esporádicos. Por outro lado, apreciava as suas doses de whisky do que havia de melhor, do escocês; como procedia nos madrigais das boites da ex-capital federal: cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, de onde nunca sairia.
Esse compatriota fulgurante, que até hoje nos conforta era emérito compositor, o maior deles, sendo inovador e tendo criado o samba exaltação, entre tantos, destacando-se a primorosa “Aquarela do Brasil†que retrata com fidelidade, a nossa grandiosa nação. Tendo introduzido também pela sua apaixonante devoção esportiva, de caráter futebolístico, entrelaçado com o seu “Mengo†- Clube de Regatas do Flamengo, uma forma “sui generis†de irradiar os jogos do esporte bretão pelo rádio, envolvendo-nos num torvelinho de emoções, sendo a sua “fiel†gaitinha de boca, sua marca registrada. Quando dos gols do “Mengoâ€, era um show à parte pelas diversificadas vezes que acionava o pequeno instrumento. Por sua própria iniciativa, tornou-se repórter de campo, comentarista, sem se tornar enfadonho. Estão lembrados? Era o principal responsável como compositor de trilhas sonoras e autor de revistas teatrais.
Entusiasta político, através da ex-União Democrática Nacional, UDN, como combativo vereador, foi um dos principais responsáveis pela idéia da construção do maior estádio do mundo - o Maracanã. Em seu íntimo também era preocupado, enxergando bem além do horizonte, através de um projeto seu, - a coleta seletiva de lixo, o que na sua época foi uma idéia mirabolante! No rádio e TV, apresentou inúmeros programas, destacando-se entre eles, o “Calouros em desfileâ€, onde, entre outros candidatos, reporto-me, estava a nossa brejeira Elza Soares, a qual se apresentou e abafou, a despeito da severa observação do produtor e apresentador do programa: “Mas... de que planeta você veio?â€, ao que Elza respondeu: “Planeta fome, seu Aryâ€, tendo neste ensejo, cantado e arrasado, como continua fazendo... e por ironia do destino, homenageando-o.
Em contrapartida, em outra oportunidade, certo candidato perguntado, disse que ia cantar um sambinha... o qual era composição do apresentador, ao que o mesmo só faltou partir para a agressão física, comentando: “Se fosse um inglês, não seria um sambinhaâ€, ao que o candidato respondeu-lhe: “Não sei falar ingresâ€...!
O citado homenageado em questão era também, ferrenho defensor dos direitos autorais, tendo abdicado do cargo de vereador por não concordar com a interferência do poder federal. Advogado, não tendo exercido essa profissão, compositor emérito e músico, boêmio inveterado, da melhor cepa, político irreverente em suas posições, era natural de Ubá, das Minas Gerais, tendo ficado órfão aos sete anos de idade, o antanho admirado e aplaudido pequeno-grandioso dr. Ary Evangelista Barroso, que saudosamente aos 64 anos de idade deixou uma imensa lacuna no meio artístico e cultural do nosso país, nos idos de 1964, nos festejos momescos e na noite em que a escola de samba Império Serrano o homenagearia, o que fizeram, porém de luto, tendo na batida do bumbo, a cadência da tristeza em profusão. O que ameniza as nossas saudades são as suas genuínas obras primas e sua personalidade invulgar. (Arthur Monteiro de Carvalho Netto - jornalista - MTB 24.444-MTB)