Quem pensa que bocha é um jogo de senhores está redondamente enganado. Em Bauru, há quase dois anos mulheres do grupo de terceira idade “Vivendo a Vida”, do Serviço Social da Indústria (Sesi) de Bauru estão dando um baile nas canchas do clube de serviço.
Tudo começou quando Sônia Marques, esposa de Milton da Costa Marques, revelou ao marido bocheiro de longa data que achava um desaforo o esporte ser exclusivo para homens.
Foi aí que Marques voluntariamente resolveu montar um time, treinar as meninas e desde março do ano passado, antes da reunião social costumeira do grupo, sempre às quartas-feiras.
Uniformizadas e sem esquecer o batom Alice Romualdo Chioca, 78 anos, Aparecida Marques, 82 anos, Dulce Conchinelli, 59 anos, Gaudência Crepaldi, 67 anos, Joana Guerreiro Juliano, 77 anos, Laucene Anatilde Nicolini, 68 anos, Lúcia Ghioti, 66 anos, Maria Eico Amano, 64 anos, Regina Manzini, 68 anos, Sônia Ferraz Marques, 73 anos, Wilma Carneiro, 62 anos e Lázara Ortiz Mukuyama, 58 anos formam times para lá de animados.
As jogadoras apontam que a bocha é um esporte prazeroso e que mexe com o intelecto.
Aliás, além de bocha a maioria destas meninas pratica hidroginástica, musculação, ginástica, alongamento, condicionamento físico, voleibol, basquete, dança, body combat, body step, work ball e hidrodeep, adaptados para a terceira idade.
Mas dentre todos os esportes praticados as multiatletas revelam que a bocha é um jogo de inteligência, que trabalha com a flexão do corpo, coordenação motora e principalmente, a concentração.
A precisão das jogadas e a pontaria das atletas da terceira idade é uma coisa que impressiona. Mesmo num clima de euforia, típico de um encontro de mulheres, as jogadas são de efeito.
Gaudência Crepaldi, a capitã da equipe, revela que as colegas não faltam aos jogos e muitas delas ainda vão ao Serviço Social do Comércio (Sesc) para jogar bocha de mesa às terças-feiras.
“Além de fazer excelentes amizades a gente nem fica cansada, não dá dor nas costas. A única coisa que falta é mais time para a gente fazer muitos campeonatos”, comenta a jogadora que já participou com o grupo de um torneio na capital.
Mas a maior campeã da turma é Alice Chioca, que se orgulha de ter “um mundo de medalhas”. Ela reconhece que joga bem por ter uma boa mira, mas quando não está na cancha é uma das torcedoras mais animadas.
A animação das senhoras conquista adeptos a cada jogo. No dia em que o JC foi convidado a assistir uma partida, Lázara Ortiz Mukoyama, 58 anos se tornou a mascote do grupo, a mais nova em todos os sentidos e foi recebida pela veterana Cida Marques, 82 anos, que há dois se dedica ao esporte como criança cheia de garra e energia.
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Quando tudo começou
Pesquisas denotam que este jogo teve início na Espanha, onde os camponeses jogavam com bochas de pedra-sabão. No Brasil, o esporte foi sido trazido pelos italianos, que o têm como esporte preferido.
Antigamente, eram permitidas as “lagarteadas” - arremesso livre das bochas pelo ar, invés de rolar. Hoje as regras determinam distâncias específicas para as áreas a serem atingidas pelas bochas..
O jogo é recomendado para maiores de 12 anos, já que o atleta precisa de firmeza no pulso e precisão no “tiro”. As bochas podem pesar de um a dois quilos cada uma. Mas em geral, joga-se com uma bola de 1,6 quilo.
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Regras do jogo
A estratégia está em arremessar bochas (bolas), que são de madeira ou resina sintética, sobre uma cancha, objetivando aproximar-se o máximo possível do “balim” (pequena bocha). Será considerado vitorioso o jogador ou equipe que somar o maior número de pontos, pontos estes que são dados de acordo com a perfeição das jogadas.
Inicia-se a jogada com o arremesso do balim pelo jogador que marcou mais pontos na partida anterior, por condição de visitante, ou por sorteio. Cabe-se, igualmente, o direito de arremessar a primeira bocha. Quando um está no ponto (mais próximo do balim), faz com que seu adversário jogue suas bochas até conseguir lugar mais próximo ou acabem as suas bolas.
Cada partida pode ser disputada por dois jogadores ou duas duplas, em alguns clubes joga-se em trio (a 15 pontos cada). São realizadas duas partidas de 18 pontos cada, vencendo a equipe que somar maior número de pontos. Em caso de empate, realiza-se uma nova com contagem de 12 pontos.
Numa partida de dois jogadores, cada um tem direito a três bochas; quando forem duas 2 duplas - cada dupla tem direito a quatro bochas, duas bochas para cada jogador.
As medidas oficiais de uma cancha são 24 metros de comprimento e quatro metros de largura. Geralmente o piso é de concreto, mas em algumas localidades se joga sobre carpete.
Existem também variações no tamanho, canchas pouco mais curtas (cerca de um metro) ou mais estreitas variando de 3,15 a 3,40 metros.
Nos estados do Sul as canchas mais comuns são de madeira ou de terra batida.