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Centrinho faz campanha para estimular cuidados com a voz

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Muitos profissionais fazem da voz um potente instrumento de trabalho. O problema é que nem sempre ela recebe o tratamento correto. Preocupada com estatísticas desfavoráveis, a fonoaudióloga e doutora em distúrbios da comunicação humana Daniela Maria Cury Ferreira Ruiz, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo - Centrinho/USP -, em Bauru, está lançando a campanha “A voz é para trabalhar, não para dar trabalho”.

Segundo a assessoria de imprensa do Centrinho, a iniciativa prevê palestras gratuitas em duas segundas-feiras - 24 de novembro e 1.º de dezembro - na sala 2 da pós-graduação do próprio hospital, às 19h, além de esclarecimentos sobre o assunto por meio de divulgação na imprensa.

O resultado dos excessos na utilização inadequada da voz e articulações pode ser desde uma incômoda rouquidão a problemas mais graves, como nódulos e edemas nas pregas vocais.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Laringologia, 40% da população ativa utiliza a voz como instrumento de trabalho. Só no Estado de São Paulo trabalham 220 mil professores, dos quais 60% têm (ou já tiveram) algum tipo de problema vocal de maior ou menor gravidade. Estima-se, ainda, que até 35% das pessoas podem ter algum tipo de anormalidade nas pregas vocais em decorrência do uso excessivo da voz, segundo informa o Centrinho.

A escolha deste período do ano para lançar a campanha sobre os cuidados com a voz não foi por acaso. No último dia 14 foi comemorado o Dia Nacional da Alfabetização. “As orientações que passamos valem para qualquer pessoa, porém, temos uma preocupação especial com quem dá aulas, mas não educa a própria voz”, explica Daniela.

No dia-a-dia da profissão, a fonoaudióloga constata que os chamados “profissionais da voz” têm dificuldade em desacelerar o ritmo vocal, o que é perigoso. “A pessoa continua usando a ‘voz profissional’ fora do ambiente de trabalho, quando deveria estar utilizando um tom mais coloquial.”

Ela sugere que quem fala muito durante o dia também precisa colocar a voz “para dormir” depois do expediente. “Isso significa que um professor de ciclo básico, por exemplo, que tem turmas de mais de 40 alunos, deve saber usar a voz entre amigos e familiares sem a intensidade com a qual se vê obrigado a falar nas aulas para se fazer entender.”

Por isso, a fonoaudióloga engrossa a fileira dos profissionais que defendem a adoção de microfone em sala de aula. “Conheço professor que comprou o equipamento do próprio bolso para continuar lecionando, uma vez que sua voz já estava apresentando alterações por causa do esforço diário em sala de aula.”

Daniela explica que as pregas (ou cordas) vocais precisam estar livres de sobrecargas para evitar o surgimento de um fonotrauma (trauma de voz), que pode ser um nódulo (calo) bilateral, ou edema (lesão que se espalha por toda a prega vocal). Ambos provocam rouquidão e podem obrigar uma intervenção cirúrgica. Também há o risco da manifestação de um cisto, que é o resultado da explosiva combinação entre excesso no uso da voz e herança genética.

Segundo a fonoaudióloga, a ingestão de álcool e o uso do tabaco podem provocar algo ainda pior, como um câncer de laringe. “Com hábitos saudáveis e medidas simples de prevenção, como a adoção de técnicas de aquecimento da voz e intervalos em sua utilização diária, é possível obter muitos resultados positivos”, afirma Daniela Ruiz.

Para prevenir problemas, a fonoaudióloga do Centrinho orienta falar pausadamente, sem exagerar no volume; evitar gritar para se fazer entender no trabalho; se for beber, faça-o com moderação e prefira bebidas fermentadas (como o vinho), e não fumar.

Serviço

Mais informações sobre as palestras da campanha “A voz é para trabalhar, não para dar trabalho” podem ser obtidas no setor de eventos do Centrinho/USP pelo telefone (14) 3235-8437, ou pelo e-mail eventos@centrinho.usp.br.

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