Enquanto em muitos países, inclusive da América do Sul, desencadeiam-se batalhas contra a proliferação de determinadas aves, na Grécia, na Índia e na Itália se tenta, a todo custo, defendê-las da destruição porque Deus, projetista de todas as coisas, não poderia deixar de criar, entre tantos tipos de aves, o excelso pavão, para a total alegria de seus filhos. E o fez da forma como ele existe até hoje, condicionado para ser visto e admirado onde quer que se observe um de seus exemplares, exatamente como o era há milhares de anos, quando até se afiançava que o seu primeiro tipo teria sido feito com esplêndidos diamantes. Era ele utilizado em apenas solenidades importantes, de onde resulta o seu curioso nome, pois desde o começo o pavão adornava os jardins indianos, gregos e romanos, em cujos locais vinha sendo retratado em pinturas, esculturas e objetos decorativos nas cortes, conforme reza a história.
E acabou tornando-se famoso em decorrência da notabilidade de sua apresentação quando abre seu deslumbrante leque de plumas, com o qual consegue atrair a curiosidade total de sua fêmea, vulgarmente chamada de pavoa, a qual, conforme ainda a opinião de observadores, costuma escolher para “marido” aqueles que fazem a exibição mais impressionante. Com a excentricidade das suas penas, o pavão, que se parece tanto com o faisão, tem a cor predominantemente azul-esverdeada e tamanho variando entre 2 e 2,35 metros, a isso se associando a plumagem de 1,5 metro, enquanto suas asas têm as cores verde e dourada com manchas redondas que, exatamente por isso, dizem os avicultores, parecem-se com seus olhos.
Seja por isso, então, que, nas nações mais antigas ele é considerado ave perfeitamente sagrada, sem qualquer rival ou imitação mesmo que aproximada, havendo agricultores, por exemplo, que não o atemorizam ou afugentam quando ameaçam suas plantações, como o fazem a outras congêneres existentes no mundo. Acrescentam os críticos que a finalidade do exibicionismo, também inerente às pavoas, provavelmente resida no virtual acasalamento da categoria, no que imitam os homens que, notadamente instigados pelo machismo inato, têm nas mulheres bonitas o alvo contumaz de seus encantos. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.