Economia & Negócios

Empresários da Getúlio criam associação

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Cansados de esperar por uma solução para os problemas causados pela aglomeração de pessoas na avenida Getúlio Vargas aos finais de semana, um grupo de comerciantes do local formalizou ontem a criação de uma associação que terá como prioridade cobrar a implementação das medidas de fiscalização anunciadas pela Polícia Militar (PM) recentemente, como a realização de blitze e a utilização de bafômetro.

A primeira reunião do grupo, realizada em uma pizzaria, contou com a participação de dez comerciantes, mas o objetivo é ampliar esse número nos próximos encontros.

Um dos idealizadores da associação, Jefferson Previero, acredita que o uso do bafômetro será um trunfo importante para diminuir o número de freqüentadores do local de sexta-feira a domingo. “O maior problema da avenida é o alcoolismo. As pessoas param os carros, bebem, entram no veículo e vão embora. Se a polícia começar a coibir isso e houver essa ação, elas não vão mais vir aqui para beber”, opina.

O comerciante Jorge Freitas também defende a medida. “Isso iria coibir 70% dos problemas porque essas pessoas iriam se deslocar para locais onde pudessem beber. Não queremos que as providências sejam tomadas apenas quando a coisa explodir”, declara.

A decisão de intensificar a fiscalização de motoristas que estejam dirigindo sob efeito de álcool foi tomada pelo comandante da 4ª Companhia da PM, capitão Nelson Garcia Filho, conforme matéria publicada pelo JC domingo. Para isso, será utilizado um bafômetro doado por uma empresa privada.

O capitão também está viabilizando, junto com o comandante da Base Comunitária Sul da PM, tenente João da Costa Duarte, a retomada das blitze que foram feitas na Getúlio Vargas durante quatro finais de semana de 2002 e que resultaram em centenas de autuações.

Para o comerciante Oswaldo Malatesta, essa preocupação da PM é fundamental para evitar que os estabelecimentos que funcionam na avenida fechem as portas. “Hoje, o ponto principal para atrair melhorias é a segurança. Você vê pessoas querendo desistir do seu negócio e outras que poderiam abrir à noite e já desistiram”, relata.

Além da segurança, os membros da associação querem, ainda, que a Secretaria Municipal de Planejamento aumente a fiscalização dos ambulantes que comercializam bebidas alcoólicas na Getúlio Vargas. Segundo a titular da pasta, Maria Helena Rigitano, esse trabalho já vem sendo desenvolvido regularmente.

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Projetos

A reunião de ontem também discutiu a possibilidade da associação desenvolver outros projetos. “Percebemos que poderemos tratar de questões como imagem, locais para divulgação, embelezamento e até publicidade coletiva”, afirma o comerciante Oswaldo Malatesta.

Ele acredita que essas ações sejam capazes de garantir, futuramente, a geração de recursos para a implantação do sistema de monitoramento por câmeras, antiga reivindicação da polícia militar dos proprietários de estabelecimentos que ficam na avenida. “Em um projeto paisagístico, podemos alugar espaços para propaganda”, sugere.

A empresária Valéria Cesar avalia que a associação poderá trabalhar para transformar a avenida em uma referência em termos de comércio. “Da mesma forma que o Calçadão é visto como um cartão-postal, a Getúlio Vargas tem tudo para ser também”, diz.

O primeiro encontro dos comerciantes contou também com um ex-morador da avenida, Ismael de Marchi Júnior. Ele se mudou há um ano para fugir da aglomeração dos finais de semana, mas continua sendo proprietário do imóvel em que vivia e será membro da entidade.

Para as próximas reuniões da associação, o grupo estuda convidar o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul, Primo Mangialardo, e o comandante da Base Comunitária Sul da PM, tenente João da Costa Duarte.

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