Polícia

Estacionamento na Getúlio será revisto

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A proibição do estacionamento de veículos em trechos da avenida Getúlio Vagas às sextas e sábados das 23h às 3h e aos domingos das 17h às 20h será revista após o arrastão que vitimou pelo menos sete pessoas na via, na madrugada de domingo. Outras duas pessoas foram roubadas no domingo. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) admite reavaliar o assunto, discutido há mais de um ano.

A medida é defendida pelo Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul, comerciantes e policiais, que desde agosto do ano passado tentam solucionar os problemas de vandalismo que ocorrem todos os finais de semana na via pública. “Vamos esperar alguém morrer?”, questiona o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar, capitão Benedito Roberto Meira.

Ele critica o resultado de uma reunião realizada na Emdurb em outubro passado, quando ficou decidido que apenas a intensificação do policiamento e da fiscalização referente à venda de bebidas alcóolicas seria utilizada para reduzir as ocorrências na avenida. Na época, mais de 300 motoristas receberam atuações e foram apreendidos quatro veículos, uma arma e mais de 500 latas de cerveja.

“É atribuição da Emdurb discutir o sistema viário, que de forma geral não tem apresentado problemas na Getúlio Vargas. Estamos discutindo uma questão de segurança pública, mas sempre estaremos abertos para estudar o assunto com a PM e com o Conseg”, explica o presidente da Emdurb, Waldomiro Fantini Júnior.

Ele ressalta que as pessoas têm o direito de circular pela avenida e teme que a proibição possa prejudicar os comerciantes instalados ao longo da via pública. As mesmas ponderações faz o chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de Bauru, Antônio Sérgio Marsola, que reitera a possibilidade de reavaliar a proibição do estacionamento na avenida.

“A regulamentação do trânsito está correta. Lá temos problema só nos finais de semana e em alguns horários específicos, mas todas as medidas que a polícia achar necessária vamos discutir e acatar. Vamos sentar (com a PM) para ver o que pode ser feito”, afirma.

Se dependesse do capitão Meira, além da normatização do estacionamento, todo o prolongamento da avenida seria filmado por câmeras de vídeo, assim como ocorre nas grandes cidades do País.

Policiamento

“Queremos fazer um trabalho preventivo porque não podemos esperar as coisas acontecerem para depois tomarmos providências”, alerta. Para ele, a ocorrência da madrugada de domingo não foi um arrastão, mas dois roubos cometidos pelo mesmo grupo.

Independentemente da classificação do delito, ele garante aumentar o policiamento na avenida Getúlio Vargas a partir do próximo final de semana. Segundo Meira, a 7.ª Companhia vai colaborar disponibilizando o efetivo do Tático Móvel e da Cavalaria.

A 4.ª Companhia também reforçará o policiamento ao longo da avenida, que será priorizada. Além da fiscalização do trânsito noturno por meio do bafômetro, o policiamento ostensivo será realizado com cães, conforme explica o comandante da 4ª Companhia, capitão Nélson Garcia Filho.

Ele acredita que a ação rápida da polícia (que deteve todos os envolvidos no arrastão) deve inibir outras iniciativas da mesma natureza. Mesmo assim, Garcia não descarta a análise de outras medidas para coibir as ocorrências na Getúlio Vargas, como o veto do estacionamento de veículos em parte da via pública.

“É um assunto para se analisar com calma porque a proibição pode provocar algum tipo de problema para os comerciantes. Mas poderíamos fazer uma experiência em apenas um lado da avenida, no sentido Samambaia/Centro”, sugere.

Concorda com ele o presidente do Conseg Centro/Sul, Primo Mangialardo, para quem a Emdurb se fechou totalmente para o assunto.

“Estamos pedindo providências há três anos. Se medidas rápidas e drásticas não forem tomadas, a coisa vai piorar. Eu convido as autoridades de Bauru a passarem por lá no final de semana. Falta envolvimento da administração pública”, conclui.

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