Três comerciantes instalados na avenida Getúlio Vargas e ouvidos ontem pelo JC estão divididos com a proposta de vetar o estacionamento de veículos na avenida Getúlio Vargas, mas são unânimes em cobrar mais policiamento.
Elisete Jordão, que trabalha numa loja na quadra 9 da via pública, já foi assaltada à mão armada durante o dia em frente ao estabelecimento comercial. Para ela, a idéia de proibir o estacionamento de veículos em determinados horários e dias é bem-vinda, desde que não prejudique o fluxo de clientes em outros comércios.
Uma outra comerciante da quadra 10, que preferiu ter o nome preservado, acredita que um teste poderia resolver o impasse. “Não seria uma solução muito acertada, mas poderíamos tentar. Trata-se de um problema de segurança pública, que poderia ser revolvido com o aumento do efetivo”, diz.
Um vizinho dela, proprietário de um estabelecimento da quadra 12, que também pediu para não ser identificado, tem opinião semelhante. Ele critica o policiamento realizado atualmente. “As câmeras de vídeo também não resolveriam. Os policias deveriam pensar melhor na abordagem. Não adianta só fazer blitz. Teriam de circular com cães, por exemplo”, indica.
Ele também foi vítima de furto em frente ao ponto comercial onde trabalha. A ocorrência policial na qual ele foi lesado está computada entre as 143 registradas pela Base Comunitária Sul da PM até dia 12 desse mês somente na Getúlio Vargas.
Para garantir segurança na avenida, nos Altos da Cidade, Jardim Panorama, Cidade Universitária e Jardim América, no dia do arrastão a Base Sul dispunha de um efetivo formado por sete homens com três viaturas, mais dois policiais de moto e outros dois de plantão na própria base.
Segundo o comandante da Base Sul, tenente João da Costa Duarte, uma viatura foi destinada somente para fazer a ronda na Getúlio. “É a região mais policiada. Teríamos que fazer uma experiência e tentar proibir o estacionamento e a utilização do som muito alto”, reitera.
Som
O controle sonoro é considerado difícil pelo Diretor da Divisão de Fiscalização da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), Roberto Rossi, que realizou blitze na avenida no início do ano.
“Fazíamos a medição com um aparelho (decibelímetro) e pedíamos que abaixassem o volume, mas nos afastávamos e eles voltavam a elevar (o som)”, explica. De acordo com ele, a Seplan só tem como coibir o exagero, através de multas, nas casas noturnas.
Na época das blizte, os fiscais apreenderam bebida alcóolica, que era vendida por ambulantes. “O que vemos hoje é o pessoal levando sua própria bebida e isso não temos como coibir. Se houver solicitação da PM e da Secretaria da Saúde, faremos uma nova fiscalização”, informa Rossi.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança Sul (Conseg), Primo Mangialardo, as lojas de conveniência e os supermercados deveriam ser fiscalizados para não vender bebida alcoólica para menores.
“Além disso, esse pessoal deveria ter oportunidade de lazer no próprio bairro. Não queremos segregar ninguém”, adverte Primo.
O chefe de gabinete da Administração Municipal, Antônio Sérgio Marsola, admite que a cidade carece de estrutura de lazer nos bairros, mas garante que a Secretaria Municipal de Cultura está fazendo o possível para amenizar a situação.
Enquanto o problema não for revertido, uma das vítimas do arrastão da madrugada de domingo, que mora a uma quadra da avenida Getúlio Vargas, vai continuar evitando a via pública. Ela quebrou o pé durante o roubo. “Já tinha medo de passar por lá, agora piorou. As pessoas chegam a abrir a porta dos carros que transitam pela avenida ou colocam a mão pela janela”, conclui.