O presidente da executiva do PFL, Dudu Ranieri, informou ontem à noite que recebeu um documento assinado por dez membros do diretório municipal do partido pedindo a expulsão dos vereadores Paulo Eduardo Martins Neto e José Walter Lelo Rodrigues. Eles votaram contra o pedido de instalação de mais uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Nilson Costa (PTB), na sessão legislativa de ontem.
Recentemente, Paulo Eduardo e Lelo votaram a favor da cassação de Nilson no episódio que ficou conhecido como a CP da Carne. Também tiveram o mesmo comportamento quando do pedido de instalação de Processante para apurar a compra de feijão, bolachas e latas de milho para a merenda escolar.
Lelo, que é presidente da Comissão de Justiça, Redação e Legislação, aprovou, na última sexta-feira parecer do vereador Toninho Garmes (PSDB) que declarou ilegal o posicionamento do consultor jurídico da Câmara, Conrado Segalla, que também apontava ilegalidade no pedido de nova CP para o prefeito.
“Isso que aconteceu é vergonhoso. Só posso entender como traição”, comentou Dudu, logo após tomar conhecimento dos votos dos vereadores. “Eles (Lelo e Paulo Eduardo) foram comunicados verbalmente pelo Rubens Spíndola sobre a posição do partido em relação ao novo pedido de CP. Por uma questão de coerência, deveriam ter votado pela instalação da Processante. Caso contrário, deveriam estar num partido aliado do prefeito”, critica.
O pefelista, que também é vice-prefeito, disse que pretende convocar uma reunião extraordinária da executiva municipal ainda nesta semana para discutir o documento. Depois, o pedido de expulsão será encaminhado à Comissão de Ética do PFL. Na seqüência, seguirá ao diretório estadual, instância a qual caberá a decisão final sobre um virtual pedido de expulsão dos vereadores.
Os parlamentares vão ter direito de defesa para apresentar seus argumentos em relação aos votos. “Não dá para ficar com os pés em duas canoas. Se eu voltar (como prefeito) daqui a dez dias, como vou tratar esses dois vereadores?”, perguntou Dudu. O vice-prefeito comandou a prefeitura por 23 dias após a cassação do mandato de Nilson Costa, no dia 19 de setembro passado.
Uma eventual expulsão de Lelo Rodrigues e Paulo Eduardo significará a impossibilidade dos dois de disputarem a eleição municipal do ano que vem. É que o prazo de filiação da Justiça Eleitoral para postulantes a cargos eletivos esgotou-se no mês passado.
Os dois parlamentares preferiram não comentar o assunto.