Cantar e contar Ary Barroso. É esse o intuito do show que a intérprete paulista Lucila Novaes apresenta hoje, às 21h30, no Serviço Social do Comércio (Sesc). No ano em que o músico mineiro completaria 100 anos, Lucila preparou uma verdadeira homenagem ao autor de “Aquarela do Brasil”, samba-exaltação famoso internacionalmente que destaca as belezas naturais do País.
No palco, a cantora não apenas relembra canções que marcaram a trajetória de Ary -como “No Rancho Fundo” e “Camisa Amarela”, além de “Aquarela” - como faz questão de explicar como foram criadas algumas composições e comentar peculiaridades da vida do mineiro.
“O Ary tinha um programa de rádio e era uma ofensa quando alguém cantava errado alguma música de sua autoria. Tem uma história engraçada sobre o samba ‘Inquietação’. Uma vez, um calouro chegou no programa e falou: ‘Eu vou cantar aquele samba do senhor, que começa assim: ‘Quem te deixou escrava Isaura’. E o Ary disse: ‘Que samba é esse? Eu não conheço!’. O mineiro tinha um estopim curto e ficou bravo pois sua letra dizia: Quem se deixou escravizar”, conta Lucila.
Além de meticuloso com suas músicas Ary se envaidecia com a qualidade do seu trabalho - o que não era para menos. A característica se confirma na história contada por Lucila: “Um dia, no programa do Ary, uma pessoa disse que ia cantar um sambinha seu, se referindo à ‘Aquarela do Brasil’. Irritado, ele disse: ‘Sambinha você vai cantar em outro lugar, porque Aquarela não é um sambinha”, lembra a cantora, dando uma pequena demonstração do que o público poderá conferir em show.
Composto por 15 pérolas de Ary, o repertório ressalta ritmos como o samba-exaltação (gênero que traz letra de cunho patriótico) e músicas “de fossa” (feita de melodias melancólicas), prometendo ser nostálgico. Lucila, que sobe ao palco acompanhada de Cláudio Duarte (violão), Alexander de Souza (sax e flauta) e Douglas Alonso (percussão), explica que apesar de novos, os arranjos priorizam o ar brejeiro das músicas do mineiro.
“Nós procuramos deixar a apresentação com a nossa cara, mas com um gostinho de saudade. Fiz questão de colocar apenas violão, percussão e sopro, justamente para dar um ar de música antiga”, observa Lucila.
De acordo com a cantora, a idéia de fazer um tributo a Ary surgiu após um período de pesquisa sobre a vida do compositor, atividade que despertou sua paixão pelas obras do artista. “Através dos livros do Sérgio Cabral e do José Homem de Melo (que abordam a história de Ary), descobri que além da música, ele era radialista, jornalista, advogado, político, enfim, exercia várias atividades. Ele se envolvia com tudo”, comenta.
Para Lucila, seu trabalho é uma forma de demonstrar ao público a importância de Ary. “Acho que não basta apenas cantar suas canções, as pessoas têm que lembrar e conhecer um pouco mais sobre a vida desse mineiro, que de certa maneira, foi ilustre para todos”, aponta.
• Serviço
Show de Lucila Novaes hoje, às 21h30, na área de convivência do Sesc. Rua Aureliano Cardia 6-71. Informações: (14) 3235-1750.
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Quem é a artista
Nascida em 1968, em Avaré, São Paulo, Lucila Novaes cresceu ouvindo música. Filha de uma cantora de rádio, ela é irmã de dois integrantes do Trovadores Urbanos, grupo de MPB que se apresentou em julho deste ano no Sesc. “Eu sou a caçula e desde 12 anos, meus irmãos mais velhos me levavam para participar de festivais. Foi aí que comecei a cantar”, relata Lucila.
Dona de uma voz marcante, ela já ganhou cerca de 30 prêmios ao participar de eventos de música. Este ano, ficou entre as cinco finalistas do Prêmio Visa, que reuniu 2000 cantores brasileiros. Há mais de 20 anos na estrada, Lucila possui dois CDs gravados, “Frestas do Céu” (1998) e “Claridade” (2002).