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Gravidez na adolescência


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Compreende-se por adolescência o período que vai dos 12 aos 18 anos de idade. Como ginecologista e obstetra formado há quase 20 anos, impressiona e me angustia o número elevado de gestantes adolescentes em nossa população. Não raro em meus plantões como obstetra em nossa Maternidade Santa Isabel defronto-me com garotas de 13, 14 e 15 anos dando à luz. Trata-se de fenômeno crescente, e por que não dizer verdadeira epidemia, a quantidade de meninas que chegam aos postos de saúde e consultórios particulares com um novo ser em seus ventres. Por que chegamos a tal situação? Sabemos que as meninas não só menstruam mais cedo como iniciam sua vida sexual de forma prematura e muito precoce.

Vivenciamos no dia a dia a mídia, seja televisão, jornais, revistas teen e Internet banalizando as relações sexuais, só revelando o lado bom e prazeroso, sem discutir os riscos reais da gravidez precoce e indesejada,assim como o elevado risco de doenças sexualmente transmissíveis (DST/aids) que os adolescentes estão expostos.

A educação sexual na adolescência, prática que deveria ser realizada pelas famílias e escolas, encontra resistência e tabus de uma sociedade que considera tais informações um incentivo às práticas sexuais. Os métodos anticoncepcionais, principalmente os preservativos masculinos e pílulas, são conhecidos por quase 100% dos jovens, mas não utilizados pela maioria.

Na ponta do iceberg, os índices de parto em meninas adolescentes na rede pública de saúde assustam cada vez mais, chegando atualmente a quase 25% de toda rede SUS. As conseqüências são graves: gestações de alto risco, aumento de complicações na gravidez, aumento da mortalidade infantil, aumento da prematuridade dos bebês, aumento de crianças abandonadas, aumento da criminalidade infantil e da prostituição infantil.

Triste retrato de nossa sociedade: em meios sociais mais baixos, por não possuírem outras expectativas futuras, a gravidez é, por vezes, considerada status social.

Providências urgentes precisam ser tomadas pela sociedade e por nossos governantes, com soluções práticas, levando a escolaridade e educação de nossa população, atividades esportivas, escolas em tempo integral, aumento de cursos profissionalizantes, lazer para as periferias das cidades, elevando a auto-estima de nossa jovem população.

O autor, Dirceu Nascimento Junior, é médico.

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