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O Brasil e a Alca


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O momento pelo qual passa o nosso país, em relação à sua atuação na política externa e especialmente em relação ao ingresso ou não do Brasil na Alca - Área de Livre Comércio das Américas - vem despertando o interesse de toda a sociedade. Não só os políticos ou seus partidos, mas todos os segmentos da sociedade se perguntam: o que isso significaria para o nosso país nos dias atuais ou para o nosso futuro?

Estamos vendo, há vários meses, mesmo antes das eleições do ano passado, discussões das mais extremadas em relação a esse tema, pois tínhamos posicionamentos que iam desde a adesão pura e simples do Brasil até a rejeição total a esse acordo, onde todas as posições apresentavam argumentos de sobra na defesa de sua tese.

Pois bem, acho muito pobre a tese da pura e simples exclusão de nosso país, embora respeite os seus defensores. Vivemos em um mundo globalizado e não me parece razoável a um país com tantas dificuldades econômicas como o nosso, nos darmos ao luxo de não estarmos inseridos em mercados mundialmente importantes. O Brasil não pode prescindir de ter novos mercados dispostos a comprar nossos produtos, pois exportar mais será a única forma de proporcionarmos desenvolvimento e crescimento, tão desejados e necessários a todos nós.

Nesse sentido, a discussão central não deve ser se o Brasil deve ou não aderir a Alca, mas de que maneira e com quais garantias para nosso país deveremos realizar a sua inserção. Sabemos que o jogo de interesses é muito grande e que os países mais ricos e desenvolvidos sempre estarão tentando puxar a brasa para a sua sardinha, fazendo a defesa de seus mercados e de seus empresários urbanos ou agrícolas. De nossa parte, não devemos apenas criticar essas atitudes, pois eles estão cumprindo o seu papel, estão defendendo os seus negócios. O que nós devemos, na verdade, é fazer o mesmo, com muita força e determinação.

Temos que ampliar esse debate em nossa sociedade, especialmente porque nossa agricultura, nossa indústria, nosso setor de serviços e nossos trabalhadores não podem ser prejudicados. Atualmente, já vemos decisões extremamente protecionistas que foram tomadas nos últimos tempos pelos EUA, que, por exemplo, sobretaxam nosso aço, nosso suco de laranja ou nossos sapatos, sem falar do imenso subsídio agrícola oferecido aos produtores norte-americanos causando concorrência desleal com a agricultura brasileira.

O presidente Lula, em minha opinião, tem desempenhado um papel fundamental nessa correlação de forças no interesse do país. Negociador desde os tempos de sindicalista, tem Sua Excelência mantido uma discussão de alto nível, colocando com altivez os interesses de nossa gente, sem perder de vista a importância da inserção de nosso país em novas oportunidades de mercado e de exportação.

As movimentações da diplomacia brasileira ocorrida no Fórum de Cancun, na direção do fortalecimento do Mercosul, na viagem do presidente Lula à África e na tentativa de organizar os países menos desenvolvidos para que negociando em conjunto possam reunir mais força e peso são, sem dúvida, uma ótima iniciativa.

Este é o caminho: negociar até a exaustão para conseguirmos o melhor acordo para o Brasil, onde poderemos ceder em alguns pontos desde que ganhando em outros. Ceder, sim, render-se, não.

O autor, Milton Monti, é deputado federal pelo PL.

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