Tribuna do Leitor

Pena de morte e maioridade penal


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A patuléia foi sempre assim. Adora pegar carona em cauda de cometa e quando toma suas posições baseia-se na emoção e em fatos repentinos e não na razão e na realidade social. Certamente o assassinato do casal de adolescentes foi uma monstruosidade. E os praticantes desta barbárie devem pagar imediatamente sob os rigores da lei. Oras, toda vez que as vítimas de tais massacres são oriundas das classes mais abastadas ou são ligadas a estas, sempre causa uma comoção nacional. Porém, só neste exato momento que estou redigindo esta carta, com certeza mais de 47 jovens já foram assassinados nas periferias de todo o Brasil. Isto prova que até para morrer de forma violenta tem os mais privilegiados e também os esquecidos pela nossa hipócrita casa grande.

Logicamente que se um ente de nossa família fosse vítima de tal chacina nós, enquanto seres humanos individuais, poderíamos até partir para o olho por olho e dente por dente. No entanto, o Estado deve primar pela razão e pelas leis vigentes. Posso até concordar com a diminuição da maioridade penal, entretanto isso vai forçar as gangues e o tráfico a recrutarem pessoas com menos de 16 anos de idade. E se baixar para 14 anos a maioridade, com certeza recrutarão a partir dos 13. Com esta análise, temos que pensar em nossos jovens saírem da escola, terem emprego e por que não cursarem a universidade. Afinal, este direito de todos está se tornando um privilégio de uma minoria.

Posso concordar com a pena de morte, desde que não atinja só preto, pobre e prostituta. Quando a adolescente rica de origem européia matou os pais para ficar com a herança, logo pintaram os apologistas dos distúrbios psicológicos e recomendaram internação e tratamento vip para a moça. Porém, quando a empregada doméstica (babá), de origem afro-brasileira, deu uns tabefes no bebê que na sua errada concepção estava lhe importunando foi um tremendo escândalo nacional e, na época tal como hoje, pintaram os cristãos assassinos defendendo novamente a pena de morte. Então, gente, o que grande parte da nossa sociedade necessita é assumir a sua contribuição nas mazelas sociais e também defender penas mais duras para os ladrões de colarinho branco, os que turbinam viagens e apóiam desvio de merenda escolar de crianças pobres. A falta de boa alimentação também leva à criminalidade e à baixa estima.

O maior genocídio que já teve no Brasil foi a escravidão dos negros e até hoje ninguém pagou por isso absolutamente nada. Ou a elite se conscientiza ou cede um pouco os anéis, porque senão vai continuar perdendo os dedos. PS - Um dos exemplos de diminuição de criminalidade foram os centros educacionais que a prefeitura de São Paulo implantou na capital. Nos bairros contemplados diminuíram os problemas de brigas, alcoolismo e assassinato em 70%. Isto é a prova que antes da cadeira elétrica e das masmorras ainda dá para pensar na educação e na inclusão.

Pedro Valentim - RG 19.198.011-0

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