Apresentações gratuitas de grupos de samba rock, capoeira, break, rap, pagode, além de espaço para grafitagem. Estas são as atividades culturais que serão realizadas a partir de hoje até sábado, dentro da Semana da Consciência Negra.
O evento - que traz como tema “O Negro no Brasil: aspectos sociais, políticos e religiosos” - terá sua solenidade de abertura hoje, às 14h, na Câmara Municipal. Às 19h, na fundação Douglas Andreani (localizado no Garden Plaza) o público poderá conferir um número de dança apresentado pelo grupo de samba rock Desamarre o Nó. Em seguida, haverá um debate e a entrega do prêmio Zumbi dos Palmares a personalidades bauruenses.
Inspiradas no movimento musical liderado pelo cantor Jorge Ben na década de 70, as coreografias de samba rock misturam batucadas de samba e guitarras e ficaram famosas através dos bailes black dos anos 80. “Elas trazem ritmos compassados e são dançadas em duplas ou trios”, explica Mara Oriolo, coordenadora do Núcleo Cultural Quilombo do Interior, uma das entidades que organiza a semana.
Além do Quilombo, participam da realização do evento a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Facesp), Pastoral da Juventude.
Amanhã, às 19h, o Desamarre o Nó se apresenta no palco do Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, seguido do grupo musical Nó na Madeira, que inclui sucessos de samba e pagode no seu repertório. às 20h, haverá exibição do documentário “300 Anos da Morte de Zumbi”.
No sábado, a partir das 13h, as atividades serão realizadas na Praça Rui Barbosa. A primeira atração da tarde fica por conta da associação de capoeira Ilha do Bonfim, coordenada pelo mestre Amaral.
De acordo com Mara, a capoeira surgiu na época da escravidão e representa da luta dos negros no Brasil. “Historicamente, para escapar dos senhores, os negros usavam a capoeira e fugiam da escravidão. Hoje algumas pessoas a vêem como dança, mas ela é a união das duas coisas”, diz.
Além da capoeira, o evento conta com apresentação de grupos de break, rap e grafiteiros - elementos que compõem o movimento hop hop. “O hip hop surgiu com o movimento negro nos Estados Unidos e de certa forma, caracteriza a cultura negra”, aponta Mara.
Para ela, a semana tem o objetivo de discutir a importância do negro no País, analisando a atuação dos movimentos e associações. “Mas para que a consciência negra se desperte, é necessário um trabalho contínuo da sociedade”, alerta.