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Em defesa do aqüífero Guarani


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No momento em que a humanidade começa a se conscientizar das dificuldades que enfrentará para promover o desenvolvimento diante da destruição dos recursos naturais, o acesso à água para as presentes e futuras gerações parece sem solução. Felizmente, no subsolo da América do Sul, temos a maior reserva de água pura do mundo: o aqüífero Guarani. No entanto, a preservação das águas desse patrimônio da humanidade e direito universal estão seriamente ameaçados. Recentemente, o Banco Mundial lançou um ambicioso projeto de mais de US$ 20 milhões para estudar e levantar informações sobre essa estratégica reserva de água que se estende entre o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

O aqüífero tem capacidade para abastecer infinitamente - inclusive para uso econômico - uma população de mais de 700 milhões de habitantes. Mas, para isso, obviamente, o Guarani precisa ser preservado. Enquanto grandes potências se mobilizam em busca de novas reservas naturais, empresas com “visão de futuro” compram fontes de água e os meios de comunicação propagam a iminência da falta de água. Sem educação ambiental séria nas escolas, o cidadão fica desinformado e imobilizado para lutar por algo que é seu de fato e de direito.

Para mobilizar a sociedade civil em defesa das causas da preservação das águas e das espécies que delas dependem, foi criado, em 1998, o movimento “Grito das Águas”, uma rede de Ongs e Ings (Organizações e Indivíduos Não Governamentais) tem atuado de forma ativista e conseqüente no Brasil e no Exterior. Desde março de 2003, juntamente com a Coalizão Internacional pelas Águas Globais (IGWC), o “Grito das Águas” vem realizando os “Fóruns Sociais das Águas”, uma decorrência da união dos movimentos sociais que compreendem a necessidade de aprofundar a organização da sociedade na defesa de seus legítimos interesses.

Nossa intenção é lutar para garantir as reservas estratégicas de água (fonte de vida para os seres humanos, animais e biodiversidade). Dessa forma, realizamos diversas atividades, como o “Fórum Social do Aqüífero Guarani”, no período de 9 a 15 de novembro, em Araraquara (SP). Entendemos ser urgente a mobilização social em defesa das águas para garantirmos um futuro de paz para as presentes e futuras gerações. Não cremos que só os governos garantirão isso por nós. Entendemos ser urgente lutarmos pela erradicação das áreas contaminadas e pelo pleno exercício do direito ambiental para fazer cumprir as leis que muitas vezes só ficam no papel. Diante disso, convidamos a todos para participarem das atividades que integram a programação de discussões e mobilizações em defesa do aqüífero Guarani.

O autor, Leonardo Moreli, é coordenador geral do Movimento Grito das Águas - leonardomoreli@igwc.org

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