Economia & Negócios

Maílson aponta crescimento econômico sustentado no País

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, que atuou no cargo entre 1988 e 1990 - final do governo Sarney -, avalia que o Brasil está no rumo certo para o crescimento sustentado da economia. “A política econômica está sendo bem conduzida e não há indícios de ruptura. O crescimento que vem sendo registrado é sustentado”, aponta.

Nóbrega esteve em Bauru ontem ministrando uma palestra para empresários e executivos sobre economia nacional e mundial, a convite da Isic Brasil, uma das principais empresas de soluções em tecnologia do Interior do Estado de São Paulo.

De acordo com o ex-ministro, as previsões para 2004 são otimistas. Com sua experiência de governo, ele traça cenários de melhora para a classe trabalhadora, para o empresariado, crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todas as riquezas produzidas por um país - e de taxa Selic fechando em 14% ao ano (desde anteontem está em 17,5% ao ano).

“No ano que vem deve prosseguir o processo de recuperação econômica que está em marcha, com queda da inflação, queda da taxa básica de juros (Selic) e crescimento em torno de 4% do PIB. Volto a frisar que este crescimento é sustentado, não tem característica de uma bolha. Ele (o crescimento) está baseado na criação de condições para a queda da taxa de juros, para ganhos de salário real dos trabalhadores, para a renovação da confiança do empresariado nos investimentos e outros fatores positivos.”

Além do cenário interno favorável, Maílson da Nóbrega também desenha um quadro de terreno receptivo e fértil para o Brasil no que diz respeito a mercado externo. Segundo ele, o cenário internacional que se enxerga é muito bom e deve ser caracterizado por uma forte recuperação da economia americana, da Europa e do Japão.

“A indicação é de taxas de juros baixas, o que manterá a liquidez internacional favorável para o Brasil. Enfim, é uma conjugação de boas condições internas com cenário externo favorável, o que só deve beneficiar a marcha de crescimento brasileira”, observa.

Questionado sobre a resposta rápida da economia brasileira em situações como a queda da taxa básica de juros e outras mudanças no setor - diferente do que acontece em vários países, como os da Europa -, o ex-ministro afirma tratar-se de uma característica própria de um País jovem.

“Em primeiro lugar, isso acontece porque somos uma Nação jovem. Os países mais jovens são menos inflexíveis. O Brasil poderia reagir até mais rápido, como ocorre nos Estados Unidos. Mas basicamente isso acontece porque há uma presença menor de posturas inflexíveis. Por exemplo: nós (o Brasil) somos muito inflexíveis na gestão orçamentária, mas estamos nos tornando muito flexíveis no mercado de trabalho”, analisa o ex-ministro.

Para ele, a existência da informalidade é uma demonstração de que o mercado de trabalho no Brasil é muito flexível, que o trabalhador brasileiro não tem uma “dependência” da proteção oferecida pelo emprego formal.

“É uma prova de que o País pode ser cada vez mais flexível e se adaptar mais rapidamente às crises. Já na área externa, por exemplo, o Brasil não é tão flexível. O México é muito mais, e reage mais rapidamente porque tem uma relação melhor do que a nossa com a dívida externa e com as exportações. Portanto, o México tem mais capacidade de reagir às adversidades de uma crise internacional no mercado de capitais do que o Brasil. Mas nós estamos chegando lá”, assinala Nóbrega.

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Ciclo de palestras

O diretor da Isic Brasil - empresa especializada em soluções de Internet e integração de softwares que promoveu o evento que trouxe o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega a Bauru ontem -, Ricardo Poço Ferreira, diz que a empresa está promovendo um ciclo de palestras sobre economia e negócios em várias cidades do Interior do Estado de São Paulo.

“O objetivo é atingir nosso público-alvo, que são empresários e executivos, de uma forma que possamos acrescentar conhecimento a ele. A palestra de Maílson da Nóbrega já foi realizada em São José do Rio Preto, em Bauru (ontem) e já está marcado o mesmo evento em Araçatuba. Outras cidades serão visitadas depois”, afirma Ferreira.

A Isic tem 14 unidades no Interior paulista e uma no Mato Grosso do Sul.

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