Regional

Receptora de fígado morre em Botucatu

Da Redação (com Michelle Roxo)
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu – Morreu ontem pela manhã a paciente de 11 anos submetida ao primeiro transplante de fígado no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros a Sudeste de Bauru).

Eliane (apenas o primeiro nome foi divulgado pelo hospital) foi vítima de insuficiência hepática. Ela havia apresentado nas últimas 24 horas um quadro de instabilidade, que foi agravado pela ocorrência de uma obstrução da artéria hepática. Em razão disso, segundo a assessoria de imprensa da faculdade, a menina foi submetida, no início da noite de anteontem, a uma intervenção cirúrgica, sem sucesso.

O estado da paciente passou, desde então, a ser considerado crítico, piorando nas últimas horas. De acordo com a assessoria, a obstrução dessa artéria é o agravo mais freqüente nos pós-operatórios de transplantes de fígado, sendo responsável por cerca de 50% das mortes.

Eliane morava com a família em Botucatu. Ela vinha realizando tratamento no Hospital das Clínicas desde fevereiro de 2000. Segundo a assessoria, antes de ser submetida ao transplante, a paciente já estava há cinco dias com as funções hepáticas paralisadas, sendo sustentada à base de medicamentos na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) pediátrica.

O procedimento cirúrgico foi realizado no último dia 12 e durou cerca de 12 horas. No final de semana, a paciente apresentou um quadro clínico instável, que se agravou com a ocorrência de uma falência renal. A situação foi contornada com a realização de hemodiálise e a menina apresentou uma tendência de melhora.

Entretanto, na última terça-feira, a paciente voltou a ter novas complicações no rim, sendo submetida a outra sessão de hemodiálise, além de exames complementares de tomografia computadorizada. Desde então a situação tornou-se mais crítica e a paciente não resistiu.

O enterro da menina será realizado hoje, às 11h, no cemitério Portal das Cruzes, em Botucatu.

A equipe médica do HC, que realizou o transplante, não estava concedendo entrevistas sobre o assunto ontem, segundo informou a assessoria de imprensa.

Única alternativa

O transplante de fígado é considerado um procedimento cirúrgico de alta complexidade. Ele é indicado quando todas as outras terapias foram consideradas ou excluídas. Em geral, o procedimento constitui-se na única alternativa de sobrevivência ou melhoria da qualidade de vida dos doentes.

A cirurgia consiste na retirada do órgão doente do paciente para a colocação de um fígado saudável, extraído de um doador com morte encefálica confirmada, ou do fragmento do fígado de um doador vivo (transplantes intervivos).

No caso da paciente do HC, o órgão transplantado foi captado em Sorocaba, de um doador adulto com morte encefálica.

O Hospital das Clínicas de Botucatu foi credenciado em setembro por uma portaria do Ministério da Saúde a realizar transplantes de fígado. O procedimento do último dia 12 foi o primeiro realizado pela equipe médica local após o credenciamento.

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