Quando analistas opinam que as populações estão vivendo sob uma cultura de morte e terror há que se concordar. E o que teria gerado a problemática, que turva a tranqüilidade das pessoas, as quais acordam vivas e risonhas e, pouco depois, são levadas para o sono definitivo, tendo como berço permanente as catacumbas das necrópoles, como aconteceu ao casal de idosos, consorciado há 50 anos, morto de forma violenta na Paulicéia?... A mulher, sexagenária, dona de uma lavanderia, degolada a facadas e em seguida furtada?... Os namorados paulistanos, arrastados a um matagal e assassinados: ele com um tiro na cabeça e ela com sete golpes perfurantes?... O industrial latrocinado com uma saraivada de tiros?... Crianças tirando penosamente a vida de mamães?... Uma genitora e sua filha jovem, com existência promissora, eliminadas por ladrões?... Transeuntes mortos nas ruas e suas famílias sacrificadas em suas residências?... Gangs promovendo fuzilarias em frente a escolas e atingindo crianças? Estes, alguns dos ataques sofridos pelas sociedades na Paulicéia desvairada! E como acontecerão as coisas no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e outras metrópoles?
É o panorama vigente por aí, do que testemunham a todo instante, ocupando espaços de horas consecutivas, diariamente, as emissoras de rádio e televisão e, de manhã, as edições de jornais. Quem seria responsável pela crise, cuja autoria se atribui à modernidade que, além da miséria, semeando fome e outras necessidades na maioria das populações, adultera os pensamentos e tendências dos seres mal constituídos, induzindo-os a contravenções penais contra quem quer que seja, homens e mulheres de ambos os sexos e idades físicas, que tenham a desventura de surgir à frente deles, gerando, conseqüentemente, a cultura da morte, contra a qual falam ou escrevem, assustados como todos, os analistas em geral, preocupados logicamente com o desrespeito demoniacamente praticado contra as comunidades que, num fenômeno crescente, pagam então com a preciosa vida as criminosas derivantes introduzidas no mundo modernista com a presunção de que se transformem nos benefícios reais que o regime do passado negou. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.