Maceió - No dia 17 de novembro de 2002, em Salvador, o Palmeiras escreveu a página mais vergonhosa de sua vida. Hoje, quando entrar em campo em Garanhuns, um ano e uma semana após o rebaixamento, poderá fazer história.
De novo longe, num estádio pequeno a 2.495 quilômetros de sua sede. De novo sozinho, sem a fanática torcida que lotou o Parque Antarctica durante toda a Série B. Contra o Sport, às 21h40, no Gigante do Agreste, o Palmeiras enfrentará mais do que a ira dos pernambucanos, revoltados com o goleiro Marcos, que qualificou o gramado do estádio de “pasto”.
Terá que vencer os próprios nervos para encerrar antecipadamente a sacrificante jornada pela segunda divisão. Com um ponto, o time paulista comemora o fim da longa jornada, iniciada em 26 de abril com um empate em 1 a 1 na Boca do Jacaré, casa do Brasiliense.
Para festejar o acesso hoje, os palmeirenses podem até perder - desde que o Marília arranque ao menos um empate dos cariocas no Caio Martins. Em sua campanha de 33 jogos, 21 vitórias e só três reveses, o Palmeiras cruzou o Brasil.
Jogou em todas as regiões do país. Percorreu 49.345 quilômetros, quase cinco mil a mais que o Cruzeiro, o líder da Série A, um torneio mais longo e disputado em turno e returno em quase nove meses.
Ontem, quando aterrissou em Maceió às 11h05 (horário local), a solidão palmeirense se fez presente. Nenhum torcedor recepcionou o clube, cena diferente da de um ano atrás, quando Levir Culpi ganhou até fita do Senhor do Bonfim de uma baiana.
Os jogadores, com cara de poucos amigos, não precisaram distribuir autógrafos nos 50 metros entre o portão de desembarque e o ônibus. Não havia a quem. Só o técnico Jair Picerni, que permaneceu mais tempo no saguão, foi abordado por um funcionário do aeroporto.
Único grande paulista a ficar alijado da primeira divisão na história do Campeonato Nacional, o Palmeiras quer deixar a solidão e os quase 50 mil km da Série B definitivamente para trás. Terá sua primeira chance hoje. No distante, esburacado e desconhecido Gigante do Agreste.
Mas o técnico Jair Picerni e os jogadores sabem que, na prática, a tarefa não vai ser nada fácil. O adversário, apesar de alguns desfalques, foi o único time a vencê-los no Palestra Itália e há o temor de que as más condições do gramado e da iluminação do local da partida possam prejudicar a qualidade do futebol.
O goleiro Marcos sentiu o músculo adutor da coxa, mas treinou ontem e está confirmado, assim como o meia Diego Souza, que na quinta-feira ainda sentia dores no tornozelo direito. Com isso, a única mudança no grupo que venceu o Marília por 2 a 0 será a ausência do volante Marcinho, suspenso, que dá lugar a Adãozinho.
O atacante Vágner tenta, com a ajuda de Edmílson desencantar após três jogos sem marcar. Com mais um gol o jogador se igualará ao atual artilheiro da Série B, Waldomiro, do Remo.