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Estudo sugere redução de velocidade

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Qual a velocidade máxima que se pode trafegar com segurança à noite, em rodovias não iluminadas, quando o raio visual se restringe àquele propiciado pelo alcance útil das luzes dos faróis dos automóveis? Um estudo desenvolvido por especialistas da Dynamics Bureau de Perícias de Acidentes de Trânsito, uma das empresas mais conceituadas do setor, defende a adoção do limite de 90 km/h nessas condições.

O trabalho foi realizado pelos peritos Raphael Martello Filho e Valdir Florenzo. Baseados em inúmeros cálculos, eles sustentam que, mesmo em uma estrada com boas condições de asfalto e sem chuva, trafegando a 120 km/h, velocidade permitida em várias rodovias paulistas, como a Castelo Branco, um veículo não conseguiria evitar uma eventual colisão ao se deparar com um obstáculo ao longo da via.

Segundo os técnicos, nesta situação o mesmo automóvel se envolveria no acidente ao redor dos 80 km/h. É justamente para evitar tal risco que os motoristas estariam correndo que Martello Filho e Florenzo consideram os 90 km/h a velocidade ideal em uma estrada à noite. Para os estudiosos, com esta média horária o condutor teria tempo suficiente para identificar o perigo, reagir e frear com plena segurança.

O tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, da Polícia Rodoviária de Bauru, enxerga aspectos positivos no estudo. Para ele, suas recomendações são importantes, principalmente, por envolver a segurança na direção noturna, quando os riscos de acidentes aumentam. “Como a capacidade de visão diminui muito, proporcionalmente a grande maioria deles ocorre neste período”, alerta.

Prova disso são as estatísticas fornecidas pela própria Polícia Rodoviária. De setembro de 2003 até meados de novembro deste ano, foram registrados 252 acidentes nas rodovias da região. Destes, 128 durante o dia e 124 à noite. “Mesmo em menor número, os noturnos demonstram o maior perigo do horário. Isso porque a quantidade de veículos rodando é muito menor que ao longo do dia”, ressalta o tenente.

Apesar de elogiar a pesquisa, o policial considera ser mais viável lutar para os condutores adquirirem maior educação no trânsito do que reduzir os limites de velocidade. “De nada adiantaria a adoção desta medida se os usuários freqüentemente continuarem a desrespeitá-la. E, como não é possível estarmos em todos os pontos de uma estrada para fiscalizar, a consciência de cada um para respeitar as leis é fundamental”, destaca Luiz.

Para o tenente, os motoristas têm mais medo dos guardas rodoviários e da possibilidade de serem multados do que cuidado com sua própria segurança. “É preciso mudar esta mentalidade, pois, principalmente à noite, a visão fica prejudicada mesmo com os faróis altos acionados”, pondera.

O policial observa, ainda, que as velocidades já existentes nas estradas não foram estipuladas por acaso. “Para defini-las, vários órgãos realizam estudos técnicos rigorosos, que já levam em consideração a segurança de motoristas e passageiros. Por isso, os limites existem para serem cumpridos”, enfatiza o tenente.

Ele entende também que, além de preocupar-se em manter a velocidade correta na rodovia, os condutores devem sempre agir defensivamente. “Para dirigir desta maneira deve-se praticar o prevenir e prever. Prevenir a manobra que se pode necessitar, como frear antes de uma curva ou obstáculo, e prever as incidências do trânsito, adivinhando o que pode ocorrer”, frisa.

Por isso, Luiz sustenta que a educação para o trânsito deveria ser ensinada desde cedo às crianças. “Poderia ser através de uma disciplina. Tal procedimento já é previsto no Código. Bastaria dar mais atenção a ele e executá-lo de forma prática”, opina o policial.

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Motoristas apóiam

Motoristas consultados pela reportagem do AutoMercado&Cia apóiam as propostas do estudo desenvolvido pelos peritos da Capital.

O engenheiro mecânico bauruense João Luiz de Oliveira Borges é um deles. Para ele, que viaja de 6 mil a 8 mil quilômetros mensalmente, a medida deve ser adotada em rodovias mal conservadas. “Principalmente naquelas que não possuem identificações visuais de segurança, como os olhos-de-gato, placas refletivas e demarcadores de guard-rail”, defende.

Já em vias cuja sinalização é boa, conforme João Luiz, reduzir o limite de velocidade é desnecessário. “Isso porque em toda e qualquer rodovia provida daqueles recursos visuais é possível manter o mesmo nível de velocidade de dia e à noite”, justifica o engenheiro.

Outro favorável é o representante comercial bauruense Paulo Roberto Fernandes, que por força da profissão roda cerca de 5 mil quilômetros todos os meses. Ele afirma que evita guiar à noite em razão da precariedade das estradas de pista simples. “É perigoso demais, principalmente porque os caminhões passam voando pela gente”, critica.

Por isso, Fernandes ressalta que a medida deveria ser implantada para todos os veículos. Entretanto, ele frisa que, em determinadas vias, é possível rodar tranqüilamente à noite devido ao seu excelente estado de manutenção. “Entendo que o maior problema são as estradas com pistas simples. Deveria haver uma lei que as proibisse. Se isto fosse feito, certamente as colisões frontais acabariam”, conclui.

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