Bairros

Carroceiros reclamam da concorrência

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

A coleta seletiva de lixo, realizada semanalmente pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), traz alívio para uns e problemas para outros. As pessoas que trabalham recolhendo recicláveis com carroças na cidade reclamam que estão com dificuldade para encontrar objetos nas calçadas das residências. “Eu tento passar antes do caminhão para pegar as coisas, mas nem sempre dá tempo”, diz o carroceiro José Ferreira Armendrós.

Morador do bairro Santa Fé - região do Núcleo Fortunato Rocha Lima -, ele costuma sair sem rumo com o seu carrinho todas as manhãs, tentando encontrar peças e lixo reciclável, materiais que podem ser comercializados em um ferro-velho do bairro onde mora.

Garrafas plásticas, papelão e caixas tetrapak são os produtos mais comuns de serem encontrados, mas muitas vezes ele dá sorte e leva em seu carrinho peças mais rentáveis, como máquina de lavar, roupa e móveis. “Dificilmente levo essas coisas para a minha casa. Na maioria das vezes, eu vendo para conseguir dinheiro para ajudar na despesa”, conta.

A máquina de lavar, por exemplo, que, segundo Armendrós, ainda estava funcionando, foi comercializada por R$ 15,00.

Ele costuma passar pelos bairros Vila Cardia, Jardim Estoril e Jardim Panorama visando recolher materiais recicláveis. Mas salienta que as caminhadas já não estão rendendo mais como antigamente. “Depois que o caminhão começou a passar nas ruas, a gente não consegue mais encontrar coisas boas”, destaca.

O também carroceiro Douglas Aparecido Adão Dutra mobiliou a sua casa com muitas peças encontradas nas calçadas. “Tenho mesa, armário, fogão, tudo que foi achado na rua”, diz.

Ele conta que, em alguns casos, os moradores solicitam o seu serviço, doando o que não vão mais utilizar. “Para nós, isso é bom, pois ajuda a conseguir uma renda a mais. Quando encontro algo que ainda está em condições de uso, levo para casa”, salienta.

Ele concorda com Armendrós com relação ao caminhão de coleta seletiva de lixo. “Agora está muito mais difícil encontrar coisas boas. O caminhão está atrapalhando o nosso trabalho”, diz.

Aparecido Quirino Cláudio, presidente da Associação dos Carroceiros da Zona Leste de Bauru, ressalta que o ideal é que fosse criada uma cooperativa para amparar a atividade. “Estamos querendo implantar essa entidade para organizar os trabalhadores e aumentar o serviço e, conseqüentemente, a renda de todos”, destaca.

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