Geral

Cohab quer 13º para quitar dívidas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), Rubens de Souza, afirmou ontem que o órgão pretende estimular os mutuários que estão inadimplentes a refinanciarem suas dívidas utilizando o 13º salário. A decisão foi comunicada durante a retomada do programa “Tô Legal”, no Centro Comunitário da Vila Tecnológica.

Para Souza, a medida pode ajudar a aumentar o número de mutuários que estão com as prestações em dia. “Queremos que as pessoas regularizem a sua situação, e para isso estamos sugerindo que elas aproveitem esse rendimento extra que é o 13.º salário. Voltaremos a aceitar, inclusive, os cheques pré-datados”, diz.

O diretor administrativo e financeiro da Cohab, Roberto Bil Barbosa, explica que o 13º salário poderá ser utilizado para quitar parte dos débitos. “Um mutuário que tem, por exemplo, uma dívida de R$ 2 mil, paga 20% desse valor e o restante nós jogamos para o fim do financiamento, ou dividimos esse saldo devedor em 100 parcelas, acrescentando nas parcelas mensais”, revela.

A mutuária Elenice Pimentel, que também é presidente da Associação dos Moradores da Vila Tecnológica, defende a proposta. “É um incentivo importante para quem está em débito”, opina.

Já a mutuária Eliza Carulo dos Santos lembra que há alguns aspectos que precisam ser levados em consideração. “O 13º salário também serve para outras coisas. A pessoa reúne a família e tem outros gastos. Eu acho, porém, que também é necessário priorizar as dívidas. Quem está em dívida fica muito perturbado e nem dorme direito”, declara.

Visita

O programa “Tô Legal”, que oferece aos mutuários um plantão de dúvidas e a possibilidade de refinanciar dívidas, também recebeu ontem a visita do prefeito Nilson Costa (PTB). Ele esteve no Centro Comunitário da Vila Tecnológica e aproveitou para conversar com moradores e diretores da Cohab.

Para o prefeito, a oportunidade da companhia ter um contato mais próximo com os mutuários é importante para esclarecer quais são as intenções da prefeitura. “O essencial é que as pessoas saibam que o poder público não tem nenhum prazer em apertá-las para que paguem as dívidas, mas essas casas foram financiadas pela Caixa Econômica Federal (CEF) e somos apenas intermediários para cumprir o contrato”, diz.

Nilson afirma que também é preciso distingüir os diferentes tipos de mutuários. “Há os inadimplentes de má-fé, que pegam a propriedade e negociam ou fazem um contrato de gaveta, levando vantagem às custas da CEF e do poder público, mas há aqueles que são vítimas de uma situação emergencial, como o desemprego ou uma doença. É para esses que procuramos acenar com a possibilidade da legalização”, declara.

O presidente da Cohab revela que os plantões de dúvidas, suspensos nos últimos meses, voltarão a ser realizados a cada 30 dias. “Pretendemos diminuir o hiato entre a companhia e o nosso cliente, esclarecer sobre prestações, refinanciamento e regularização dos contratos, uso do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e todas as questões relacionadas aos imóveis”, explica.

Os mutuários Aparecido Rinaldo e Rosimeire de Rezende foram ao Centro Comunitário pedir informações sobre o saldo devedor do contrato do casal, mas saiu decepcionado. “Desde quando a gente está com a residência, o saldo não diminuiu nada. Você paga, mas o valor é o mesmo. Eles explicaram que é assim mesmo, que você precisa continuar pagando para que comece a cair mais para a frente”, diz.

Comentários

Comentários