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Médicos devem assumir Beneficência

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de médicos do Hospital Beneficência Portuguesa está perto de assumir a administração da entidade, que atravessa séria crise financeira. A proposta de terceirização foi apresentada através de um pré-contrato, cujos detalhes serão avaliados amanhã em uma reunião com os integrantes do conselho deliberativo do hospital, que atende somente pacientes particulares e de convênios médicos.

As partes envolvidas não quiseram comentar os termos do contrato, mas o presidente da diretoria executiva do hospital, Luiz Carlos Mendes, acredita que o encontro de amanhã possa definir o acordo de terceirização. Ele lembra, porém, que os documentos ainda não foram assinados. “Sempre há pontos a serem debatidos em uma negociação desse porte. É por isso que o conselho irá analisar essa proposta para tentar chegar a um denominador comum”, diz.

A reportagem apurou que os contatos foram iniciados com o envio, por parte dos médicos, de uma carta de intenções à diretoria executiva da Beneficência, que a repassou aos conselheiros.

Como houve uma contraproposta, um encontro foi realizado ontem pela manhã para tentar um consenso, o que acabou ocorrendo, segundo uma fonte ouvida pelo JC e que pediu para não ser identificada.

Ela informou também que o acordo inicial prevê que a empresa a ser constituída pelos médicos passe a comandar o hospital por um prazo que poderia chegar a 30 anos, herdando a responsabilidade de negociar e pagar as dívidas da entidade, que mantém 80 leitos. Para isso, seria feito um empréstimo bancário. Mendes não quis informar qual é o montante dos débitos e o faturamento da Beneficência.

Segundo os termos do contrato, ainda de acordo com a fonte ouvida pelo JC, parte dos lucros que possam ser obtidos após a terceirização será investida em equipamentos e a outra dividida entre médicos e os atuais mandatários. Antes, porém, o objetivo é quitar todos os débitos.

Prejuízos

A atual administração tem se esforçado para tentar diminuir os prejuízos da Beneficência, que tem hoje uma taxa de ocupação de leitos considerada satisfatória, em torno de 90%. Mendes calcula que o déficit mensal caiu cerca de 50% em relação a anos anteriores e que 30% das dívidas foram sanadas. Ele não quis revelar, porém, o valor que resta a ser quitado com bancos, fornecedores e empresas terceirizadas.

A possibilidade de terceirização da entidade foi aprovada pelo conselho deliberativo no dia 23 de junho como forma de atrair capital para novos investimentos, já que os bens que a Beneficência possui estão indisponíveis para venda. Desde então, surgiram propostas, como a dos médicos e a do grupo empresarial proprietário da Gocil Segurança, que acabou não se viabilizando.

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Origens

A idéia de se criar a Beneficência Portuguesa nasceu no dia 14 de maio de 1914, em um encontro que reuniu portugueses e descendentes que moravam em Bauru. Depois de 11 dias, Francisco Soares foi escolhido para presidir a nova entidade.

A primeira sede da Beneficência funcionou, em caráter provisório, em um prédio na rua Batista de Carvalho. A entidade ainda teve outros endereços provisórios até que o sonho de erguer o hospital em um terreno próprio começou a ser concretizado, em 1925. Três anos depois, foi inaugurada a primeira parte das obras.

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