Os participantes do 4.º Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (Enpec), que está sendo realizado em Bauru nesta semana, estão discutindo didáticas em uso e novos modelos de ensino de física, química, biologia e matemática. São cerca de 500 pesquisadores de todo o Brasil e também de Portugal e Argentina.
O professor Roberto Nardi, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Educação para Ciências da Faculdade de Ciências (FC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é um dos coordenadores do evento. Ele explica que o País tem atualmente 20 programas de pós-graduação, com mestrado e doutorado, na área da educação em ciências. “Esta edição do Enpec reúne cerca de 500 trabalhos da área, com profissionais e pesquisadores destes programas”, diz.
Além das palestras e mesas-redondas com profissionais e especialistas na área, o encontro vai contar com apresentações orais e através de painel, com temas diversos em todas as áreas das ciências.
Os trabalhos tratam de assuntos como a didática utilizada nas aulas para estudantes de ensino fundamental e médio de diversas ciências, a participação dos alunos em aulas com maior interatividade, a aprendizagem por meio dos currículos atuais das escolas, a metodologia e o material usado nas aulas, tanto em abordagens mais gerais como para temas e teorias específicas de cada área.
Antonio Francisco Cachapuz, que é professor na Universidade de Aveiro, em Portugal, veio ao encontro para participar de uma mesa-redonda sobre a formação dos professores de ciências. Ele afirma que a formação necessita atualmente de mais interação entre as instituições de ensino e os grupos de pesquisa. “A questão tem de ser pensada como uma mudança em escala, que não tem a ver com projetos isolados. A formação (de professores) deve ocorrer do ponto de vista transnacional, com a utilização das tecnologias de comunicação e informação, que ajudam muito nisso”, diz.
Mesmo com as diferenças em investimentos, condições de trabalho e outros pontos, Cachapuz afirma que a formação dos profissionais brasileiros é de alta qualidade. “Os grupos de pesquisa estão no mesmo nível do melhor que se conhece em todo o mundo. Infelizmente, a produção brasileira tem qualidade mais não tem difusão”, afirma.
Outro coordenador do encontro, Marco Antônio Moreira, que é diretor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), concorda que a divulgação das pesquisas é deficiente. “O pesquisador precisa fazer a troca, os trabalhos precisam de outra leitura, outra versão, para atingir os professores e os alunos nas escolas. Afinal, toda a pesquisa é sobre a escola, então os resultados têm que chegar até lá”, comenta.
O mestrado na Faculdade de Ciências (FC) da Unesp existe desde 1997, e neste ano foi consolidado o programa de doutorado. Na opinião de Nardi, a realização do Enpec em Bauru também é a confirmação do reconhecimento dos cursos. “O programa de mestrado da FC é um dos pioneiros no Brasil na área de educação em ciências. O credenciamento do doutorado consolida a faculdade como um importante pólo de pesquisa”, conclui.