Economia & Negócios

Graduados buscam emprego fora da área


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Como um sintoma dos altos índices de desemprego e do achatamento da renda, profissionais de Bauru com diploma universitário estão procurando trabalho em qualquer área, mesmo que não tenha nenhuma ligação com o curso pelo qual se formou. A indicação vem de um levantamento do Centro de Estudos e Pesquisa para Encaminhamento ao Trabalho (Cepet), órgão da Prefeitura Municipal.

De acordo com o levantamento, dos mais de 8 mil cadastrados no órgão, 250 têm formação superior. Destes, pelo menos metade está disposta a atuar em áreas diferentes daquela em que se graduou. Há casos como o de uma psicóloga inscrita para uma vaga de babá, de bacharel em economia cadastrado para trabalhar de motorista, ou mesmo de uma professora com três faculdades disposta a trabalhar como auxiliar de creche.

“A pessoa tem nível universitário e viu uma vaga no jornal. Ela vem e faz sua inscrição específica para aquela vaga, mesmo não sendo da área dela. Isso significa que ela está disposta a trabalhar fora de sua área”, afirma a psicóloga Rosane Aparecida Seabra Prudente, chefe da seção de encaminhamento ao mercado de trabalho do Cepet.

Segundo ela, que realizou pela primeira vez esse levantamento, muitas pessoas fazem a inscrição na “hora do desespero” para obter um emprego, o que faz com que o Cepet tenha de investigar a fundo se o candidato vai mesmo querer trabalhar na função em que se cadastrou. “Às vezes, a pessoa com curso superior acaba nem sendo chamada. Quando o emprego não é na área, um diploma superior acaba até atrapalhando”, diz.

De acordo com Rosane, as empresas acreditam que um profissional mais qualificado poderá deixar o cargo assim que conseguir uma proposta na área de atuação original. Mesmo assim, avalia, trabalhar fora da área não é sinônimo de salários baixos. “Mesmo você trabalhando na sua área, pode não ter o retorno financeiro que deveria ter. Às vezes, como supervisor de crédito, por exemplo, você acaba ganhando até mais do que na sua área”, declara.

Recreação

A bacharel em direito Letícia (nome fictício a pedido da entrevistada), 27 anos, se inscreveu no Cepet em busca de uma vaga de recreacionista para instituições de ensino infantil. Ela, que se graduou há pouco mais de um ano, conta que tem curso de magistério, mas foi demitida do emprego de professora na mesma época em que terminou a faculdade. Desde então, o único trabalho que conseguiu foi um estágio não-remunerado num órgão do Judiciário.

Letícia afirma que seu desejo é prestar um concurso público, mas precisa de dinheiro para comprar livros jurídicos e pagar um curso preparatório. “Eu preciso trabalhar. Até prestar um concurso, passar, eu preciso trabalhar. Não tenho condições de ficar apenas aguardando”, afirma. Segundo ela, escritórios de advocacia, por exemplo, estão preferindo abrir vagas para estudantes de direito.

De acordo com Rosane, do Cepet, a oferta de estagiários no mercado é crescente, principalmente devido à proliferação de instituições de ensino superior na região. “Hoje em dia, há muitas faculdades em Bauru, Marília, Jaú e mesmo em cidades pequenas da região. A quantidade de estudantes querendo um estágio, mesmo sendo não-remunerado, é muito grande”, aponta.

Pela experiência de Letícia em busca de emprego, ela conta que um currículo com formação superior acaba até mesmo criando uma barreira em relação ao empregador. “O diploma atrapalha, sim. O empregador pensa que você vai querer ganhar mais, cria um empecilho”, declara ela, que já procurou emprego de vendedora e de atendente em uma clínica veterinária. “A verdade é que a gente tem de ir dançando conforme a música”, conclui.

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