Macatuba - O prefeito de Macatuba (46 quilômetros a Sudeste de Bauru), José Gino Pereira Neto (PTB), o Zezo, quer construir uma praça de pedágio na estrada vicinal Lauro Peraçoli, que liga o município a Igaraçu do Tietê. O objetivo da cobrança, segundo ele, seria arrecadar verba para a manutenção da pista, que estaria em precárias condições de tráfego.
A intenção de Zezo é encaminhar ainda neste ano um projeto de lei para a Câmara Municipal com a proposta. Antes, porém, ele pretende discutir o assunto com o prefeito de Igaraçu, Carlos Alberto Varasquim (PL), já que a vicinal, de cerca de 18 quilômetros de extensão, abrange a área dos dois municípios.
A Lauro Peraçoli foi construída em 1986 e atualmente, segundo a polícia local, sofre sérios problemas de infra-estrutura, tendo grande parte dos trechos esburacada. Na opinião do prefeito de Macatuba, o problema estaria sendo provocado pelo intenso tráfego de caminhões de carga, que utilizariam a rodovia como rota de fuga do pedágio da SP-225, em Pederneiras. Zezo acredita que seu projeto inibiria a utilização da vicinal para essa finalidade.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o fluxo de veículos teria crescido cerca de 90% na vicinal depois da implantação do pedágio da SP-225, cuja taxa atualmente é de R$ 5,00.
“Aumentou demais o tráfego de veículos, principalmente de transporte pesado”, afirma o prefeito. “De manhã, você encontra na estrada dezenas de carretas e caminhões passando por ali”, relata.
Zezo afirma que a prefeitura não possui condições de arcar com as obras de reparo da vicinal. Segundo ele, todos os anos são realizadas, em média, três operações “tapa-buracos” na estrada. Entretanto, a medida, que custaria aos cofres municipais cerca de R$ 90 mil ao ano, teria um caráter paliativo. “Cada vez que chove a estrada fica toda esburacada. O correto ali seria fazer uma nova pavimentação”, avalia.
Para o chefe do Executivo, a construção de um pedágio na vicinal resolveria esse problema, já que o dinheiro arrecadado seria revertido para a manutenção da pista.
“O valor da cobrança seria bem pequeno, de R$ 1,00 a R$ 2,00, para que a gente pudesse continuar dando manutenção na estrada”, afirma. Estariam isentos da taxa, pelo projeto do prefeito, apenas os veículos oficiais e motocicletas. Caso a idéia seja colocada em prática, a prefeitura também estuda a possibilidade dos veículos com placas de Macatuba e Igaraçu do Tietê terem isenção.
Zezo admite que a construção de uma praça de pedágio seria um projeto impopular. Entretanto, defende a medida como uma alternativa para garantir a segurança dos usuários.
Pelo projeto da prefeitura, a obra seria construída na divisa dos municípios, na ponte do Rio Lençóis.
Para a viabilização do projeto, o petebista precisa contar com a aprovação da Câmara Municipal e do prefeito da cidade vizinha.
Polêmica
Zezo afirma que por diversas vezes tentou entrar em contato com o prefeito de Igaraçu para discutir o assunto, mas não obteve retorno. Mesmo assim, ele afirma que vai insistir na negociação do projeto.
“A única alternativa que eu tenho é essa”, afirma. “Do contrário, eu jogo dois caminhões de terra lá e fecho a pista. Coloco uma placa dizendo que a estrada não está em condições de uso”, polemiza.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com o prefeito de Igaraçu do Tietê. Entretanto, segundo o secretário de Obras do município, Nelson Sachetti, não há intenção por parte da prefeitura em aprovar um projeto dessa natureza. “Está descartada qualquer possibilidade de pedágio no nosso trecho, que vai de Igaraçu até o Rio Lençóis”, aponta. “No nosso lado, que são nove quilômetros de estrada, a gente mantém constantemente a operação tapa-buracos e a pista está em boas condições”, relata.
O secretário afirma que a prefeitura tem um projeto de construção de uma nova vicinal, que ligaria Igaraçu ao trevo da SP-225, para desviar o tráfego pesado de veículos da Lauro Peraçoli. “Nós estamos em entendimento com o governo do Estado para isso. O objetivo é tornar a Lauro Peraçoli uma vicinal turística, para trânsito leve, e desviar os caminhões de trânsito pesado para essa nova vicinal”, finaliza.
Verba
O prefeito de Macatuba afirma que já em 2001 encaminhou um ofício a deputados federais com o objetivo de levantar verba para a pavimentação completa da estrada. Na ocasião, o orçamento da obra, realizado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER), estava em torno de R$ 1,5 milhão, segundo o prefeito. “O DER fez todo esse orçamento e passou para a Secretaria Estadual de Transportes, mas até hoje a verba não veio”, afirma Zezo.
Recentemente, a prefeitura encaminhou novamente um pedido de recuperação do trecho, que está sendo analisado pelo DER.
De acordo com a assessoria de imprensa do departamento, a manutenção das estradas vicinais é de responsabilidade dos próprios municípios. Entretanto, alguns projetos de recuperação podem ser realizados em parceria entre o DER e a prefeitura.
Zezo afirma que a administração municipal não teria condições de arcar com despesas dessa natureza, especialmente no contexto atual. O prefeito justifica que o município tem apenas 4% de arrecadação própria e vem sofrendo desde o início deste ano com a queda de repasses dos governos estadual e federal.
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Acidentes
De acordo com o delegado João José Dutra, titular de Macatuba, os usuários da estrada vicinal Lauro Peraçoli têm transitado pelo local com cautela, devido a própria condição precária da via. Mesmo assim, há registros de acidentes de pequeno porte. “Temos reclamações de pessoas que estouraram pneus nos buracos existentes na pista. O local está realmente necessitando de reparos, de tapa-buracos pelo menos, para não se falar em um recapeamento”, avalia.
Segundo Dutra, principalmente no período da safra da cana-de-açúcar, de maio a novembro, a vicinal apresenta um volume mais acentuado de tráfego de caminhões de carga, provenientes da própria região. “Há também motoristas que acabam transitando por aqui em razão de desviar da praça de pedágio de Pederneiras. Mas esse desvio não é significativo”, diz.