Por que votei em Luiz Inácio Lula da Silva? Por ser ele um legítimo representante do povo brasileiro, por suas raízes de homem simples, simbolizando através do nordestino, o sofrimento do brasileiro pobre e excluído. Formado pela Escola Superior da Vida, lutador, líder metalúrgico, Lula, símbolo maior das classes assalariadas, defensor da justiça, da justa distribuição de rendas do trabalhador.
Oposicionista ferrenho por tradição, sempre combateu o que havia de maléfico nos governos anteriores. Representava ele, na ocasião do pleito em 2002, uma esperança concreta de mudanças radicais na condução deste gigante chamado Brasil. Ele seria a própria mudança, mudança para melhor. Tudo que fosse nocivo ao povo seria revogado em detrimento das elites que, paulatinamente, repartiriam seus lucros, promovendo, legalmente, a justiça social que tanto queremos. Pelas suas promessas pudemos vislumbrar o Éden , onde todos os nascidos nesta terra abençoada por Deus e pela natureza teriam chances de uma vida melhor. Não se tratava de mais um político. Era o Lula, a maior esperança, o grande líder Lula!
Por que nunca mais votarei em Luiz Inácio Lula da Silva: - Pelo seu deslumbramento com o poder . Pela sua mudança de postura, bem como a de seus ministros. Esqueceu-se das lágrimas vertidas em sua posse. Sua conduta está mais afeita à tão combatida burguesia do que à simplicidade de um homem do povo. Frases feitas como “a retomada do crescimento”, “ medidas concretas para a geração de empregos” e outros blás não refletem a realidade do Brasil de hoje, submetido ao seu governo desde janeiro deste ano. Metáforas bem feitas, porém inócuas, refletem a mudança do discurso. Onde está a geração verdadeira de empregos ? Onde está o combate efetivo e acelerado aos juros altos ? Onde está a correção da Tabela do Imposto de Renda? Aliás, esta famigerada correção foi tema incansável da campanha do então deputado federal Ricardo Berzoini, hoje ministro da Previdência, que dizia em seu discurso antes da eleição ser “ponto de honra” no seu mandato realizar a dita cuja. Coisa do passado. Hoje no poder, a realidade é outra. Na Reforma da Previdência consta a tributação dos aposentados. Forma injusta de tratar quem já trabalhou por anos e anos . Não vemos intenção alguma do governo em baixar o índice dos impostos. Incoerência com o discurso de campanha.Os banqueiros alegam que não baixam a taxa de juros cobrada dos clientes (endividados pela defasagem salarial ) porque a “inadimplência é muito alta". Com lucros astronômicos, imaginem se não fosse! O governo Lula está possibilitando que a classe assalariada de baixa-renda faça empréstimos bancários, consorciados com as empresas para débito em conta corrente . Com isto favorecerá muito mais aos bancos que, fatalmente, vão diminuir sua “inadimplência”, uma vez que o débito em conta não possibilitará o não-pagamento das parcelas . A classe de baixa renda precisa é de empregos e não de crédito bancário! Este governo, num continuísmo ao seu antecessor, prorrogou todos os contratos internacionais que geram milhões e milhões de juros à dívida externa brasileira. Lembram do discurso inflamado do PT que pedia a moratória?
Pois é , vejam a diferença. A CPMF era um roubo, uma inconstitucionalidade no governo anterior, segundo a oposição comandada pelo PT , do então candidato Lula . Hoje ela é prorrogada sem nenhum constrangimento . Enfim , tudo aquilo que no governo anterior merecia pesadas críticas de Lula, hoje são fatos normais que não podem ser modificados para “não comprometer o orçamento”. E o povo e a classe média que se lasquem! Que pena, a luz no fim do túnel está começando a se apagar... Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, meu voto, nunca mais!
Fernando Lucilha Júnior - aposentado do Banespa - Bauru-SP RG5023414