Cultura

'Quando as Máquinas Páram' ressalta a força dramática de Plínio Marcos

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

O Grupo Impacto realiza hoje, às 19h, no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, a leitura do texto “Quando as Máquinas Páram”, de Plínio Marcos. Realizado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC) por meio do Projeto Santo da Casa, o evento faz parte do Ciclo de Leituras Dramáticas “Panorama do Teatro Brasileiro/100 anos de História”. A entrada é gratuita.

O teatro de Plínio Marcos, falecido em 1999, tem uma força essencial e bruta. A realidade de seus textos são retratos assustadores da miséria humana. “Quando as Máquinas Páram”, escrita em 1971, segue esta linha.

Ao estrear, logo depois de “Dois Perdidos Numa Noite Suja” e “Navalha na Carne”, o texto parece destinado a retratar um instante específico, assolado por crises de desemprego resultantes de políticas governamentais desastradas.

Na peça, os protagonistas são Zé, operário desempregado, e Nina, costureira. Recém-casados, terão todos os sonhos esmagados em tempo recorde. Isso está evidente desde a primeira cena, mas o que se nota, aos poucos, é a habilidade do dramaturgo na condução desse casal equilibrado, afetuoso e, mas que tem explosões de violência.

A pressão externa, presente na vizinhança fofoqueira e na inútil procura por emprego, empurram Zé e Nina para um confronto doloroso, que desemboca em uma tragédia. Os personagens limitados, sem instrução nem capacidade de se expressar, são modestos até mesmo na sua revolta. Os conflitos surgem com rispidez, inflamados pela privação do cotidiano.

Plínio Marcos

Autor de assuntos polêmicos como homossexualidade, marginalidade, prostituição e violência, Plínio Marcos foi um dos primeiros a retratar a vida dos submundos de São Paulo. Impôs, sempre, sua imaginação sem hipocrisias, direta e forte. Era, segundo ele mesmo afirmava, “uma figurinha difícil”.

Além de escritor, Plínio foi, dramaturgo, ator, jornalista, camelô de seus próprios livros, técnico da extinta TV Tupi, jogador de futebol e palhaço. Depois de tentar tornar-se jogador de futebol e de trabalhar como palhaço de circo por 5 anos, ele escreveu sua primeira peça, “Barrela”.

A partir daí, Plínio integrou o elenco de companhias amadoras de teatro. Depois, transferiu-se para São Paulo, no início da década de 60, onde participou da criação do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Com quase todas as suas peças proibidas pelo regime militar, Plínio quase desistiu da carreira de dramaturgo. Na década de 80, quando a ditadura terminou e seu trabalho foi liberado, ele novamente surpreendeu. Escreveu as peças “Jesus Homem” e “Madame Blavatsky” mostrando um lado mais espiritualista. Em 1985, ganhou os prêmios Molière e Mambembe pela peça “Madame Blavatsky”.

• Serviço

Leitura do texto “Quando as Máquinas Páram”, de Plínio Marcos. Hoje, às 19h, no Centro Cultural de Bauru. A entrada é gratuita. Avenida Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 3235-1072.

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