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Mudar para mudar


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Os sucessivos avanços sociais que, ao longo dos anos, foram sendo introduzidos nas sociedades de vários países europeus e, também, sul-americanos, entre eles México, Chile, Colômbia e Argentina, a bem poucos beneficiaram efetivamente. Chegam então os observadores à conclusão conseqüente de que a substituição das antigas culturas, datadas de 500 longos anos, pelas novas que surgiram nos pedaços nestes últimos séculos, nada mais foi que um mal reconhecidamente danoso para a humanidade, atestado iniludivelmente pelas contendas cívicas e os litígios físicos que têm ocorrido, grupos políticos contra iguais e nações contra idênticas em vários continentes, inclusive agora, conforme se noticia, sem quaisquer arranhos à verdade dos fatos.

A tradicional ordem das coisas se alterou dessa forma porque tudo mudou sobre a face da terra e os povos em geral experimentam, de anos a esta parte, uma consciência social que também mudou, chamando-se de democracia o regime que as nações agora vivem e que, no entanto, pouco possui dos ensinamentos democráticos, ostentando, conseqüentemente, apenas, a vistosa indumentária da mentira e do engodo, já que não canaliza para a coletividade a justiça e o acerto das coisas que para elas são legisladas, decretadas ou expedidas na forma de leis provisórias, lembrando-se de que, de épocas a esta parte, o que realmente manda na vida dos povos é a ampla riqueza de uns, constituída pelo chamado cartão de crédito e seu respectivo número, não se importando o poder multinacional com o destino de 4 milhões de seres humanos que vivem, largados a suas próprias sortes, com apenas dois dólares diários.

O que esperariam os 7 bilhões de habitantes do universo senão fazer de seu absoluto nível de cultura social algo que possa mudar a atual filosofia do mundo, destituída dos traumas atualmente vigentes? É o que lhes compete fazer, sintonizando suas antenas no exato sentido da paz efetiva e do progresso ininterrupto, com os ouvidos voltados para a verdade constante da emocionante canção: “Fraternidade, palavra tão bonita/ fraternidade é mudar o coração/ fraternidade que o mundo necessita/ fraternidade é ser irmão de seu irmão”.

Face ao que acontece, conclui-se que a velha legenda de “governo do povo, para o povo e pelo povo” exige ser restaurada sem quaisquer traços de utopia e, sim, com sentido real, objetivo e, portanto, absolutamente respeitável. Por que a exigência? É para que se consiga melhorar tudo aquilo que tenha sido feito impatrioticamente para piorar. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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