A tarifa do transporte coletivo urbano de Bauru passa a custar R$ 1,45 a partir de segunda-feira. O novo valor, anunciado pela prefeitura há um mês, representa aumento de 20,83% em relação ao preço atual, de R$ 1,20. A proximidade do reajuste provocou uma corrida nesta semana ao ponto de venda de passes na quadra 9 da rua Araújo Leite.
De acordo com a assessoria de imprensa da Transurb, associação das empresas de ônibus de Bauru, a venda de passes aumentou 20% desde a última segunda-feira. Responsável pela comercialização dos passes há pouco mais de um mês, a Transurb não revela a quantidade de bilhetes vendidos por motivos de segurança.
A assessoria da associação também afirma que os cobradores terão à disposição “quantidade suficiente” de moedas para troco, mas pede aos usuários que procurem pagar a passagem com moedas para agilizar o embarque.
O último reajuste das tarifas de ônibus ocorreu há um ano, quando o valor passou de R$ 1,00 para R$ 1,20. Em dois anos, portanto, o preço do passe foi reajustado em 45%. Embora o índice de reajuste seja considerado alto, a Transurb não acredita que o novo aumento provoque evasão de usuários.
Desde 1996, o volume de passageiros no sistema de transporte coletivo do município registrou queda de 42%. Naquele ano, a média era de 4,5 milhões de usuários por mês. Em 2003, o volume mensal caiu para 2,6 milhões de passageiros. Para a Transurb, o fenômeno - verificado no transporte coletivo de todo País - se deve ao empobrecimento da população e ao desemprego.
Quatro passes
No orçamento doméstico, o aparentemente “pequeno” aumento de R$ 0,25 na tarifa pesa quando o dinheiro extra para a tarifa é somado ao final do mês. Uma pessoa que precisa embarcar em dois ônibus para chegar ao trabalho (e toma mais dois para voltar) passará a gastar R$ 5,80 diariamente a partir de segunda-feira - R$ 1,00 a mais por dia, de R$ 20,00 a R$ 25,00 por mês.
O empresário Dorival Juliano paga os passes de quatro funcionários de seu estabelecimento. Em casa, sua empregada precisa pegar quatro ônibus diariamente. “Geralmente, são 88 passes por mês para a empregada de casa. Com o aumento, vou gastar R$ 22,00 a mais por mês”, diz.
Na empresa, Juliano calcula que vai pagar R$ 12,50 a mais para cada funcionário “Sempre pesa um aumento desses, porque não dá para repassar isso ao consumidor, no caso do comércio”, aponta. Na opinião dele, a implantação do passe-integração no sistema de transporte poderia minimizar os gastos. Pelo acordo da Transurb com a prefeitura, a integração do sistema está prevista para entrar em funcionamento até maio de 2004.
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Protesto
Entidades estudantis e sindicais marcaram uma manifestação para segunda-feira, às 14h, na Praça Rui Barbosa, para protestar contra o aumento da tarifa dos ônibus circulares. Na tarde da última quinta-feira, um protesto interditou a avenida Rodrigues Alves por alguns minutos.
“É um círculo vicioso. Está havendo o aumento com a esperança de cobrir o déficit da Emdurb, só que mais usuários deixarão de utilizar os ônibus”, afirma o estudante Alexandre Bittencourt, presidente do Centro Acadêmico dos alunos de comunicação da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O estudante se refere ao déficit na Câmara de Compensação Tarifária (CCT), calculada em mais de R$ 5,5 milhões.
De acordo com Bittencourt, além de prejudicar os trabalhadores, o aumento na tarifa penaliza os estudantes, tanto universitários quanto secundaristas. Ele lembra que, quando chegou a Bauru, o passe custava R$ 1,00. Com o aumento, num espaço de dois anos a passagem pulou para R$ 1,45. “Meu pai não tem reajuste salarial de 45% em dois anos”, declara.