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Circulando: É de cair o queixo!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Encontrar um Karmann Ghia rodando por aí não é tarefa das mais fáceis. Imagine, então, um quase inteiramente original e com um mesmo dono há 34 anos! Situação raríssima, não é mesmo? Não tanto para os moradores do município de Bocaina (69 quilômetros a Nordeste de Bauru), que pelo menos uma vez ao ano têm o privilégio de cruzar nas ruas com tal modelo guiado pelas mãos do aposentado Amadeu Afonso.

Ele é bocainense “da gema”, mas atualmente, aos 83 anos, reside na Capital paulista. Apesar disso, Amadeu sempre faz questão de visitar os parentes na “terrinha” natal, oportunidade que ele não perde para colocar seu Karmann Ghia 1968 - quatro marchas e motor 1500 cilindradas - na estrada. “O carro faz 14 quilômetros por litro e anda bem. Para mim, que não passo dos 100 km/h, é perfeito”, garante Amadeu.

Segundo o aposentado, o automóvel é o “xodó” não só dele, mas também da família. “Todo mundo gosta de dar uma volta nele, principalmente meus netos”, conta. Por essa razão, aliado ao fato de ser um carro que supre suas necessidades, Amadeu enfatiza que não o troca por nada. “Para que vou comprar um novo? Para pagar seguro e IPVA? Esse aqui ninguém quer roubar e, se isso ocorrer, é fácil de encontrar”, diz.

Amadeu conta que a paixão pelo modelo despontou desde o momento da aquisição, em 1969. “Compramos em fevereiro daquele ano devido à cor, que é denominada azul ultramarinho. Meu filho estudava e, quando completou 18 anos, adorava o carro. Depois ele começou a ver os automóveis mais novos e deixou de utilizá-lo. Como não tive coragem de me desfazer dele, estou com o Karmann Ghia até hoje. Valeu a pena.”

Amadeu também não se cansa de exaltar as qualidades de seu carro. “Acima de tudo, o admiro porque ele é muito bonito. Além disso, ele tem a placa preta, uma espécie de atestado de originalidade que só é concedido para o automóvel com cerca de 95% das características de fábrica”, exalta o aposentado. “O motor dele já virou o velocímetro duas vezes e nunca precisei mexer nele”, acrescenta.

O modelo também desperta a atenção por onde roda na Capital paulista. “Não posso sair nas ruas por lá que muitos ficam perguntando de um monte de características e, principalmente, se eu o vendo. Mas não faço isso nem por US$ 1 milhão”, garante. “Não é raro pessoas me pedirem para tirar fotografia ao lado do Karmann Ghia”, conta o aposentado.

Mas, não é por acaso que o “carrinho” torna-se o centro das atenções. O veículo realmente impressiona pela conservação e originalidade. Ao olhá-lo, a primeira impressão é que o modelo parece ter saído naquele instante da fábrica. Tudo nele brilha, desde a pintura até os cromados dos pára-choques dianteiros e traseiros.

Por dentro, o Karmann Ghia possui as mesmas virtudes. A começar pelo painel de tom amadeirado, o “volantinho” de dois raios, os bancos de couro e o revestimento do chão do veículo, todos em perfeito estado.

E, como todo bom dono de carro, Amadeu adora “perder” horas e horas limpando-o. “Quando estou em São Paulo, minha família costuma dizer que gasto mais dinheiro com água para lavá-lo do que com combustível para rodar com ele”, exagera.

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Perfil

Nome: Amadeu Afonso Idade: 83 anos Terra natal: Bocaina (SP) Lugar bonito: Litoral de São Paulo Cor preferida: Azul Time do coração: Corinthians

Para quem o senhor nunca daria carona no seu Karmann Ghia? “Acho que para a sogra, pois não caberia. É brincadeira, pois ela até já morreu!”

E para quem o senhor faria questão de dar carona? “Para as mulheres.”

O que mais lhe irrita ao andar no trânsito? “Os congestionamentos de São Paulo.”

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