Não era fácil ser uma estrela da música nos chamados anos dourados. “O mercado era diferente, as gravadoras investiam mais mas a qualidade dos artistas era maior”, avalia. Os anos 50, 60 e início dos 70 foram o período de Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Nélson Gonçalves, Francisco Egídio. Luna estava entre eles e muitos outros astros desde o início. “Quando era crooner comecei a cantar no mesmo lugar onde o Jamelão já era um senhor cantor, aprendi muito com ele”, conta.
Nas aulas de música ele dividia o professor com ninguém menos que Tom Jobim. “Na época era jovem, bonito, parecia um galã de cinema”, lembra. Nos momentos de descontração, tinha todas as feras ao lado na mesa de bar - com exceção de Chico Alves, que não se misturava. “Ele era tido como o maior cantor da época e fazia questão de deixar isso claro sem se aproximar muito”, diz em tom de confissão sem o mínimo de rancor.
À música brasileira do seu repertório Luna acrescentou boleros e tangos cantados em castelhano que o levaram a gravar discos e fazer shows na Argentina, Venezuela, México e Espanha. “Recentemente, meu último disco, ‘Tributo a Gatica’, uma homenagem ao grande compositor chileno, foi lançado nos Estados Unidos também”, diz.
Seus shows são marcados por uma coletânea de sucessos, assim como têm sido seus últimos discos. “O mercado está assim hoje em dia, as gravadoras só querem saber de músicas que já tenham sido testadas e aprovadas pelo público”, revela o cantor, que prepara o repertório para lançar um novo álbum em breve. “Isso é uma pena, pois assim acabam com o compositor brasileiro”.
Segundo Luna, a pirataria prejudicou muito os artistas, mas o preço dos CDs também é alto demais para os padrões brasileiros. “Não era necessário ser assim”. Por conta de tantas mudanças o cantor acredita que as gravadoras vão acabar se fundindo para poder sobreviver e que a solução poderá vir das pequenas empresas.
Qualquer que sejam os rumos que o mercado e a música tomem Luna - que tem mais de 60 discos gravados - promete continuar na ativa com sua voz - ainda poderosa - cantado os clássicos românticos. “Não vou parar tão cedo”, garante.