Saúde

Chance de cura em crianças é de 70%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Receber o diagnóstico de câncer torna-se ainda mais difícil e dolorido quando a vítima é uma criança. Mas estimativas do Ministério da Saúde mostram que a possibilidade de cura da doença em pacientes com menos de 18 anos de idade é de 70%. Cerca de 7 mil crianças são diagnosticadas com câncer no Brasil anualmente. A maioria delas consegue levar vida praticamente normal depois do tratamento.

De acordo com a Agência Saúde, só a pediatria do Instituto Nacional do Câncer (Inca) recebe cerca de 250 casos novos da doença por ano. Em 2002, o atendimento pediátrico do Inca contabilizou 13,5 mil consultas, 1,3 mil internações, 389 cirurgias e 8 mil sessões de quimioterapia. Três de cada quatro pacientes são curados.

Na década de 60, quando surgiram os primeiros centros especializados, o índice de cura era de apenas 20%.

“O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer parte do organismo. Entre os tipos de câncer mais freqüentes na infância estão a leucemia e tumores no sistema nervoso central, sistema linfático, rins, ossos e retina”, informa o ministério.

A ciência ainda não decifrou qual é a causa exata da doença nessa faixa etária. Nos adultos, o surgimento dos tumores malignos está relacionado quase sempre a maus hábitos, como tabagismo e alimentação inadequada. Na infância, a doença parece ter uma relação mais direta com fatores genéticos.

Mesmo assim, especialistas não descartam a possibilidade de a doença ser causada por outros motivos, como exposição à radiação, a substâncias químicas ou a doenças viróticas.

O que se sabe, de fato, é que quanto mais cedo a doença é descoberta, maiores se tornam as possibilidades de cura. A chefe da Seção de Oncologia Pediátrica do Inca, Sima Ferman, salienta que a demora no diagnóstico é um dos principais obstáculos para o tratamento. “Geralmente, as crianças chegam aos centros oncológicos em estágio avançado da doença”, comenta.

Segundo ela, um dos fatores que dificultam a detecção precoce do câncer na infância é que seus sinais são muito semelhantes aos sintomas de diversas outras doenças comuns a essa faixa etária. Por isso, ela adverte que os pais precisam dar atenção a todas as queixas dos filhos - por mais simples que elas possam parecer.

Além da vigilância familiar, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o desenvolvimento da criança e do adolescente seja acompanhado regularmente por um pediatra. Havendo suspeita de câncer, a criança deve ser encaminhada para um centro especializado em oncologia pediátrica.

Segundo a Agência Saúde, existem mais de 50 destes centros na rede do Sistema Único de Saúde (SUS), espalhados pelo Brasil. Todos eles contam com equipes multidisciplinares, formadas por médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e pediatras oncológicos treinados para oferecer um atendimento diferenciado.

O tratamento oncológico pode demorar de seis meses a dois anos e envolve três modalidades - quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Está comprovado que as crianças reagem melhor à quimioterapia que os adultos. Porém, por estarem em idade de crescimento e desenvolvimento, elas requerem cuidados especiais.

“O uso da radiação e de medicação quimioterápica pode trazer futuros problemas para a saúde da criança, que deve ficar em acompanhamento mesmo após o tratamento”, informa a Agência Saúde.

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