“Habituê” de fotos diárias em jornais, o chefe da Nação, costumeiramente inserido nas páginas com sorrisos, abraços e apertos de mãos, aqui e nos inúmeros países que visitou neste 8 meses de gestão, surpreendeu pela forma invulgar com que reagiu às censuras endereçadas à sua fala na Conferência Nacional do Meio-Ambiente. Afirmando ter “perdido a paciência” ele não manteve os braços abaixados como habitualmente o faz. Levantou-os e acenou criticamente aos manifestantes, deixando então de repetir seus tradicionais gestos de cordialidade social. Não perdoou os ambientalistas, que protestavam contra as alterações que, através da Câmara dos Deputados, projeta o Governo efetuar no projeto de lei de biossegurança nacional que, entre outras coisas, pretende normatizar a comercialização de transgênicos. Teria sido a maneira que ele achou para manifestar aos críticos o seu desagrado pelas contestações que seu discurso estava suscitando à platéia rispidamente barulhenta. O presidente não ficou nisso, porém, deixando de abaixar os braços e até realçando: “Não há forma mais autoritária de comportamento social do que uma pessoa tentar fazer com que seus interesses prevaleçam sobre os interesses da maioria”. Sua Excelência teria errado erguendo os tentáculos e acertado levantando a voz para expressar o seu pensamento quando viu diante de si faixas contra a iniciativa governamental? O certo é que a rumorosa ocorrência está dividindo a douta opinião pública, muitas alas aplaudindo a reação do chefe da Nação e outra tantas consurando-a. Então, as manhãs que se aproximam deverão, naturalmente, apontar a qualidade exata, sócio-político administrativa, que o incidente poderá vir a ter, apresentando as implicações que não consigam evitar e possam molestar a uns e outros. Isto “com certeza”, conforme a expressão que, repetindo o vulgo, tentem os observatórios falar, usando a expressão da moda. Mais uma vez no exterior, conhecendo outros países e outras gentes, talvez o presidente nem tome ciência dos acontecimentos. Tomara... É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.