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Centro ainda é inacessível ao deficiente

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Apenas 5,7% de 1.605 estabelecimentos comerciais e de serviços da região central de Bauru dispõem de alguma adaptação que garanta acesso às pessoas que se locomovem com cadeira de rodas. O número consta numa pesquisa elaborada pela Universidade do Sagrado Coração (USC), que será divulgada hoje, no Dia Internacional e Municipal da Pessoa com Deficiência.

O estudo foi realizado por sete alunos voluntários do Núcleo de Pesquisa do 3º Setor, do curso de Relações Públicas, que trabalharam sob a coordenação da professora Sonia Cabestré. Os universitários visitaram casas comerciais instaladas entre o quadrilátero formado pelas ruas Alfredo Ruiz, Araújo Leite, Presidente Kennedy e Júlio Maringoni e verificaram que apenas 92 estão adaptadas.

O levantamento constatou ainda que em algumas vias públicas muito movimentadas, como a Capitão Gomes Duarte e a Bandeirantes, o índice de estabelecimentos aptos para receber um portador de deficiência é nulo. A rua com maior quantidade de imóveis preparados para atender pessoas com necessidades especiais é a Ezequiel Ramos, com apenas 12,5% dos estabelecimentos aptos.

“Começamos pela região central porque ela é importante e reúne o centro comercial, bancário e as clínicas. Na periferia, a incidência de estabelecimentos adaptados deve ser quase inexistente”, estima Cabestré, que teve a idéia de realizar o levantamento após ficar sensibilizada com as dificuldades de uma amiga deficiente.

De acordo com ela, as estatísticas incluem qualquer tipo de adequação viabilizada pelo proprietários dos estabelecimentos implementada para receber pessoas que se locomovem com cadeira de rodas. A instalação das rampas é a adaptação mais freqüente.

“Localizamos em alguns estabelecimentos rampas muito íngremes ou ainda rampas que terminavam num degrau. Esses casos não foram incluídos”, explica o aluno do 4.º ano do curso de Relações Públicas, Gabriel Jum Goto.

Visibilidade

Apesar das dificuldades e do resultado pouco animador para os deficientes, o universitário do 3.º ano do curso Daniel Meana, acredita que alguns avanços já foram alcançados. “Agora é o momento de aglutinar idéias e pensar em ações que possam reverter esse quadro”, diz.

Concorda com ele a colega do 4.ª ano Bianca Matteo Sansone, para quem os dados devem receber visibilidade das autoridades públicas e da própria comunidade.

“Como consumidora, dou preferência a estabelecimentos que ofereçam acesso ao deficiente. Como profissional, também teria mais interesse em desenvolver projetos para essas empresas”, afirma Ana Paula Madureira.

Porém, ela, assim como os outros seis universitários e a professora orientadora, são unânimes em afirmar que a maioria das casas comerciais e de serviço que oferecem acessibilidade à pessoa portadora de deficiência fizeram as adaptações apenas em respeito à legislação.

Conforme o JC publicou em recente matéria, a lei municipal 4475, de 28 de novembro de 1999, exige que todo projeto de reforma ou construção de prédio público garanta acesso universal. A informação foi confirmada pelo diretor da Divisão de Diretrizes e Normas da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), Paulo Garbelotti.

Ele não soube informar quantos prédios públicos ainda devem se adequar à lei e quantos já a cumprem. As novas obras que desobedecerem as exigências legais podem ser embargadas pelo Ministério Público.

Até 2001, o País dispunha de 20 leis, sete decretos, duas portarias e duas instruções normativas para garantir acesso às pessoas com necessidades especiais.

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Mesa-redonda

Acessibilidade no mercado de trabalho, no meio físico urbano e o preconceito enfrentado pelas pessoas portadoras de deficiência são os temas abordados numa mesa-redonda que será realizada hoje, a partir das 19h30, no anfiteatro O-11 da Universidade do Sagrado Coração (USC).

Durante o evento - promovido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude) de Bauru e o Núcleo de Pesquisa do 3º Setor, do curso de Relações Públicas da USC - o resultado da pesquisa será divulgado hoje e discutido.

A idéia é iniciar um debate que possa resultar em campanhas para alertar a comunidade sobre a problemática da acessibilidade, explica a coordenadora da pesquisa Sonia Cabestré.

A discussão foi agendada justamente no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, data estabelecida numa sessão especial da Assembléia Geral das Nações Unidas para Pessoas com Deficiência, em outubro de 1991.

Na época, para marcar o fim da Década das Nações Unidas para Pessoas com Deficiência, entre 1983 e 1992, foi aprovada uma resolução elegendo a data, explica o coordenador geral do Comude, Francisco Takao Kajino.

De acordo com ele, o objetivo do dia é enfatizar os direitos dos deficientes, lutar pelas necessidades de integração na sociedade, celebrar a experiência, além de promover os direitos humanos de todas as pessoas portadoras de deficiência.

A longo prazo, a meta é eliminar a violação dos direitos humanos às pessoas com deficiências e garantir oportunidades iguais entre todos.

Quando isso acontecer, ninguém mais se sentirá constrangido por utilizar acessos diferenciados, normalmente distantes ou reservados dos disponíveis para a maioria, como ocorre atualmente.

Conforme o JC vem retratando, uma entrada à parte ou pelos fundos, por exemplo, destinada às pessoas com necessidades especiais, não deixa de ser um avanço, mas também não evita embaraço e discriminação de seus usuários.

• Serviço

A USC fica na rua Irmã Arminda, 10-50, no Jardim Brasil. Outras informações pelo fone (14) 3235-7000.

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