A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) prendeu ontem em uma chácara no município de Bauru o beneficiário e acusado de ser o mandante do crime que vitimou a massagista Marta Karem Glanert no último dia 2 de outubro, no Jardim Santana. O acusado, que teve apenas as iniciais do nome divulgadas pela polícia, V.A.D.R, 49 anos, se reservou ao direito de só se pronunciar em juízo. Ele era o único beneficiário de vários seguros feitos por ela e com sua morte ele receberia R$ 3 milhões.
O caso já estava esclarecido e três dos quatro executores do crime já estão presos. Anderson Eduardo Batista de Jesus , 23 anos, Marco Aurélio Fernandes Barga e André Luiz Ruiz, 25 anos, teve sua prisão temporária decretada por 30 dias. Ontem, o prazo venceu e foi renovado por mais um mês.
O quarto envolvido, Neusival Pereira Costa, 25 anos teve sus prisão temporária decretada, mas até ontem estava foragido.
Ontem, por volta do meio dia, a DIG localizou o empresário V.A.D.R., acusado de ser o mandante. Contra ele pesam várias acusações. A primeira delas de que, mesmo não tendo nenhum grau de parentesco com a vítima, era o único beneficiário de vários seguros de vida.
A massagista, pessoa humilde de poucas posses, sem parente algum na cidade, segundo informou o titular da DIG, delegado José Jorge Cardia, não tinha condições financeiras para pagar tantos seguros de vida.
A trama, na versão apresentada pela polícia, contou ainda com a participação de mais uma pessoa, que fez o papel de intermediário nas negociações entre o mandante e os executores. “Lázaro Antônio de Oliveira, conhecido por Ico, aparece na história como sendo a pessoa que contratou os executores do crime”, diz Cardia.
Porém, Ico morreu de câncer recentemente e não chegou a ser ouvido pela polícia. O nome dele foi citado, de acordo com o delegado, pelos envolvidos, que chegaram a receber dele cerca de R$ 3,5 mil.
Como foi
O crime aconteceu na tarde do dia 2 de outubro. Dois desconhecidos entraram na casa de massagem, na quadra 4 da rua Vangélio Mondelli, procurando pela vítima. Como ela estava trabalhando, suas companheiras pediram para os desconhecidos retornarem.
A dupla retornou pouco depois e efetuou vários tiros contra a mulher. Socorrida ao Pronto-Socorro Municipal, Marta Karem Glanert precisou ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, onde permaneceu viva, porém inconsciente até o dia 25 do mesmo mês, quando morreu.
O primeiro a ser identificado e preso foi Neucival Pereira Costa, conhecido por Val, que teria ingressado na casa de massagem em companhia de Anderson Jesus, levados para o local por André Ruiz e Marco Aurélio Barga, que desconheceriam a intenção deles. Após os disparos feitos por Anderson, segundo a confissão de Neucival Costa, os quatro fugiram para um chácara na região de Agudos.
Durante as investigações, os outros três foram identificados e presos. Todos negaram a participação no crime. Costa fugiu antes de ser decretada a prisão temporária dele.
A polícia passou então a buscar o motivo do homicídio e chegou a uma trama envolvendo os quatro, um intermediário e o mandante.
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Trama do seguro
O empresário V.A.D.R., 49 anos, é acusado de ser o mentor da trama. Teria sido ele quem planejou toda a situação que culminou com a morte da massagista. O objetivo era receber cinco seguros de vida, feito pela massagista no qual ele era o único beneficiário, mesmo sem nenhum grau de parentesco.
A quebra do sigilo de informações foi autorizada e chegou-se a quantia de R$ 3 milhões. No período de um ano, o valor deveria ser recebido pelo empresário. Até ontem, ele não tinha requerido o pagamento.
A polícia chegou a uma pessoa chamada Lázaro Antônio Oliveira, conhecido por Ico, amigo de longa data do empresário e que há dois anos estava com câncer. Segundo informações da polícia, Ico teria intermediado a ação talvez para receber um dinheiro e deixar para sua família, uma vez que sabia que ia morrer.
O acusado André Ruiz foi funcionário de confiança do Ico. Em determinado período, chegou a figurar como proprietário de um posto de gasolina pertencente a Ico.
No mesmo dia em que a vítima foi atingida por quatro tiros, o acusado de ser o mandante teria feito uma retirada de R$ 5 mil e entregue a Ico.
Ico teria repassado R$ 3,5 mil para André possívelmente para pagar os executores que agiram mediante promessa de pagamento.
Justiça
Tanto os executores do crime como o mandante responderão por crime de homicídio qualificado, podendo ser condenados de 20 a 30 anos de reclusão.
Segundo o delegado J.J.Cardia, a polícia continua as investigações para concluir o inquérito e prender o foragido.