Economia & Negócios

Setor de cartões cresce 19,4% em 2003

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O mercado brasileiro de cartões de crédito deve fechar o ano com faturamento 19,4% superior ao registrado em 2002, segundo aponta o estudo Indicadores do Mercado Brasileiro dos Meios Eletrônicos de Pagamento, realizado pelo Grupo Credicard. Ao passo que o “dinheiro de plástico” cresce, o talão de cheques sai de cena.

Entre 1994 e 2003, as operações comerciais com pagamento em cheque registraram queda de 45%. No mesmo período, o uso do cartão de crédito aumentou em 423%. De acordo com a pesquisa, além do acesso maior ao produto e à segurança, um dos fatores principais da preferência pelo cartão é a possibilidade de parcelamento sem juros oferecida por grande parte do comércio.

Até o final de 2003, o mercado de cartões deve faturar R$ 82,7 bilhões no Brasil. Ainda, pela primeira vez desde o início das operações com cartão no País, o número de transações deve ultrapassar a barreira de 1 bilhão. O número de cartões em circulação também cresceu neste ano: de 40,6 milhões em janeiro para 42,1 milhões em dezembro.

“Na nossa rede, o uso de cartões, tanto de crédito quanto de débito, aumentou em quase 20% só neste ano”, afirma o gerente de uma rede de supermercados de Bauru, Marcos Renato Lourenção. Segundo ele, a rede tem ações em parceria com uma operadora dentro das próprias unidades para incentivar o uso de cartões. “A média é de 100 cartões novos por dia, somando as três lojas”, aponta.

Esses cartões novos funcionam num sistema de transferência direta, o que, segundo Lourenção, garante segurança e comodidade para os clientes. Para a empresa, a segurança também é financeira, uma vez que a inadimplência com o cartão é zero. “Outra modalidade que vem crescendo é a do tíquete-alimentação já no cartão. Não dá problema de troco, é mais seguro”, diz.

Ainda de acordo com o estudo, o valor médio das compras efetuadas com cartão em 2003 deve fechar em R$ 76,00. A média do ano é menor do que a prevista para dezembro: R$ 84,00. Isso demonstra a penetração do cartão nas famílias, que o estão utilizando para as compras de Natal. Cerca de 9% do consumo privado do País é efetivado através de cartões.

De acordo com o gerente de uma loja de departamentos de Bauru, Wagner Caetano, uma demanda dos consumidores cada vez mais observada é o uso do cartão para pagamento de prestações. “Por enquanto, o uso de cartão só é aceito no momento da compra, mas nós já estamos preparando o sistema para receber prestações deste modo”, declara.

Segundo Caetano, a principal vantagem do cartão é mesmo a inadimplência zero. “Nossos vendedores estão orientados a incentivar as compras no cartão”, diz. Apesar dos números positivos, o custo operacional do sistema ainda é considerado alto por diversos setores - a taxa cobrada por algumas operadoras chega a superar 4% do valor da venda, mais o custo do aluguel das máquinas.

Internet e crédito

A pesquisa também aponta que o cartão é o meio mais utilizado para pagamento nas compras feitas pela Internet. Em 2003, o “dinheiro de plástico” deve responder por 85% do total das transações on-line, o equivalente a R$ 1,02 bilhão. O gasto médio nas compras pelo computador deverá ser de R$ 245,00.

O uso do cartão nas operações de crédito também está apresentando desempenho crescente em relação ao cheque especial e o crédito pessoal, embora continue sendo uma opção ainda pouco popular. Entre 2001 e 2003, a participação dos cartões nessa modalidade saltou de 7,9% do total para 11,4%. O uso do especial caiu 1,9 ponto percentual na participação, enquanto o crédito pessoal teve expansão menor: 1,2 ponto percentual.

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