Política

Audiência cobra metas para a cidade

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal de Bauru para discutir o potencial regional da cidade e as perspectivas de investimentos apontou a necessidade dos segmentos organizados, inclusive o setor público, definirem metas sociais, econômicas e de desenvolvimento para os próximos anos.

A reunião contou com a apresentação de indicadores econômicos e sociais pelos professores da Faculdade de Economia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Reinaldo Cafeo e Herman Vos. Ambos mostraram preocupação com resultados apontados por institutos de pesquisas onde a cidade aparece com indicadores negativos, como aumento da população situada abaixo da chamada linha da pobreza.

A audiência reuniu representantes da indústria, comércio, serviços públicos e privados, entidades, representantes populares e dez vereadores.

Entre os diferentes indicadores demográficos, econômicos e sociais, os professores destacaram a necessidade do setor público definir onde a cidade quer chegar. “Me incomoda muito não termos metas para os mais variados problemas e atividades, metas de mortalidade infantil, desfavelização, metas sociais sobre a aplicação do orçamento”, reforçou Cafeo durante o encontro.

Os economistas compararam que, assim como ocorre no setor privado, as instituições públicas também deveriam criar metas. “Discutir os índices sociais é importante. Mas também é necessário definir com qual índice o Poder Público trabalha para 2004 em relação aos diferentes programas que estão em andamento”, exemplifica Cafeo.

O vereador Luiz Carlos Valle (PDT) reforçou que a estrutura acadêmica local está sendo subutilizada. “Temos uma grande concentração de especialistas em diferentes áreas e o Poder Público, inclusive a Câmara, não aproveita essa estrutura para planejarmos onde poderemos chegar”, opinou.

Para o economista Herman Vos, o plano implica em definir objetivos. “Se o Poder Público está tendo dificuldades em encher as caixas d’água da própria cidade, por que vai atuar para atrair grandes empresas para cá?”, indica, exemplificando como a ação pública poderia nortear o crescimento local.

Neste campo, Vos avalia, por exemplo, que os indicadores deixam claro a vocação de prestação de serviços da cidade. “Com os dados em mãos das cidades de nossa diocese podemos ver no plano regional se a ação não deveria direcionar a atração de uma indústria de grande porte para Agudos, por exemplo, se lá o fator abastecimento de água for favorável”, acrescenta Vos.

Ele lembra que a definição dessas políticas devem levar em conta todos os fatores disponíveis. “Está claro pelos dados pesquisados e disponíveis que Bauru vai continuar sendo o local que vai oferecer o suporte de serviços para essas indústrias, mesmo as que se instalam nos arredores. É preciso ter estratégia”, reclama.

Mapa dos indicadores

A ausência de metas e a carência de planejamento público em cima de indicadores já disponíveis foi enfatizada na audiência. Os economistas apresentaram indicadores e traçaram paralelos sobre dados que foram da renda à migração da população local e regional, do ranking de investimentos à concentração de riquezas.

Todos os indicadores estão disponíveis em planilhas através do site www.ite.edu.br. As informações compõem o Data-ITE. Outras fontes de pesquisa podem ser obtidas junto à Fundação Seade (www.seade.gov.br). “Ao traçarmos paralelos entre essas pesquisas com dados oficiais como os do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, por exemplo, podemos entender o que se passa e apontar caminhos”, reforçou Cafeo.

Entre alguns pontos comentados ontem, foram citados que Bauru começou a apresentar crescimento populacional mais lento do que a média nacional nos últimos anos. De outro lado, o número de crianças com idade abaixo de 5 anos está reduzindo. “Isso mostra que a população economicamente ativa na cidade cresce, o que significa mais mão-de-obra disponível. A população também está envelhecendo, como no restante do País”, pondera Vos.

Associados, esses dados indicam que a cidade terá que se preocupar em ampliar a oferta de emprego. “Também será preciso planejar a qualidade de vida para essa população mais idosa para os próximos anos”, trouxe a audiência.

Em outra ponta, cresce o número de profissionais com formação superior, incluindo pós-graduandos, em Bauru. “A taxa de escolaridade é maior que a média das outras cidades. Isso é um bom indicador social, mas também pede oportunidades de emprego no mesmo patamar de exigência. Esses jovens vão ficar aqui ou vamos ceder mão-de-obra especializada?”, lançaram os palestrantes em tom de reflexão.

Na área de investimentos, os resultados preocupam em particular, segundo os economistas. “O volume de investimentos anunciados nos primeiros semestres de 2001, 2002 e 2003 mudaram para pior: saímos de US$ 14,8 milhões para atraírmos US$ 108 milhões em 2002. Mas no primeiro semestre de 2003 ficamos com US$ 36 milhões. O que aconteceu? O que precisa ser feito?”, ressaltaram durante a reunião.

Comentários

Comentários