Um rapaz de 21 anos foi baleado na perna por um sargento da Polícia Militar (PM), na madrugada de ontem, em uma casa noturna no Parque Paulista. De acordo com o comandante da 1.ª Companhia da PM, capitão Benedito Roberto Meira, o rapaz seria portador do vírus da aids e ameaçou jogar sangue nos policiais.
O rapaz, Gustavo Henrique Brum dos Santos, foi encaminhado para o Pronto-Socorro Municipal Central (PSM), onde passou por cirurgia. Até ontem à noite, ele permanecia internado em estado regular. A PM abriu inquérito para investigar a atitude do policial.
Por volta das 2h, a PM foi acionada para acalmar um tumulto em uma boate na rua João Firmino Alves. Ao chegar no local, os policiais encontraram Santos, que estaria embriagado e com partes do corpo ensangüentadas.
“O irmão dele, que estava tentando acalmá-lo, informou aos policiais que ele era portador do vírus da aids. Ele tinha se envolvido em uma briga e feito cortes nas mãos e nos pulsos. Quando ele notou a presença dos policiais, foi para cima deles, ameaçando jogar sangue”, conta Meira.
Utilizando um cassetete, um dos policiais conseguiu empurrar Santos para uma pequena piscina dentro da boate. Depois de sair da água, o rapaz começou a se aproximar do sargento, que não teve seu nome divulgado pela PM.
“O sargento tentou evitar contato, mesmo porque já estava com respingos de sangue na farda e no corpo. Quando ele ficou encurralado, pegou sua arma e disse que se o rapaz se aproximasse, ele atiraria. Como ele continuou ameaçando, o policial não teve outra alternativa e atirou na canela dele para derrubá-lo”, relata Meira.
O comandante da 1.ª Cia comenta que já foi instaurado um inquérito para apurar as circunstâncias que levaram o sargento a atirar e a real necessidade do disparo. “Foi uma situação de risco. Os policiais ficaram com medo, por não saber se poderiam contrair o vírus se uma gota de sangue caísse em suas bocas, por exemplo. E o sargento não conseguiria entrar em luta corporal com o rapaz, que era muito forte. Diante das provas testemunhais, ele agiu corretamente”, afirma.
A reportagem tentou durante toda a tarde e início da noite falar com a família de Santos, mas ninguém foi encontrado.