É muito fácil uma empresa alegar que vai sair de uma cidade, para instalar-se numa outra vizinha. Parece tudo tão simples, fecha-se aqui e abre-se ali, sem traumas, como se nada de anterior tivesse acontecido. Leio no jornal que isso pode acontecer mais uma vez por aqui. Serão reflexos da tal da ‘Guerra Fiscal’, onde quem oferece mais acaba sediando a empresa? Ou seriam os eternos problemas de administrações municipais inoperantes?
Eu tenho pelo menos o direito de me indignar com esse tipo de procedimento. Acho que a maioria das empresas brasileiras precisam mesmo é de uma reorientação, tomar consciência de sua participação em um processo, talvez uma oportunidade de transformarem-se em empresas modernas. Isso mesmo, não pensar somente no seu lado, no lucro fácil, afinal uma empresa não deve pertencer somente ao empresário ou ao acionista, mas à sociedade brasileira, num todo. Fazemos parte de um contexto, onde estão envolvidos o empresário, o empregado, o prefeito, os vereadores, a Saúde Pública, a Comunidade, a defesa do meio ambiente e a Cidadania. Todos devemos satisfações à sociedade. O empresário é dono do seu negócio, mas tem que administrar isso com a consciência de que a empresa não é dele, de que é preciso ter democracia, cada um visando o bem estar do outro e não somente olhando para o seu próprio umbigo.
A empresa moderna precisa mais do que nunca ser pensada no conjunto da sociedade e não isolada, como algo só deles. É o emergir de uma consciência nova, onde a empresa precisa entender que precisa pagar o justo imposto, que precisa seguir normas básicas de conduta com a natureza, com os seus empregados e consigo mesma. O empregado sabe reconhecer muito bem quando é valorizado, quando não passa privações, afinal, qualquer empresário tem o maior zelo com suas máquinas, mas muitas vezes se esquece de sua mais importante máquina, o ser humano que trabalha para ele.
O que muito empregador não reconhece é que não é somente o retorno financeiro que deve domar suas vidas. Com sacrifício não mudaremos nossas vidas, isso vale tanto para o empregado, como para o empregador. Assim como o alcagüete não merece respeito algum, aquele que lhe escancara as portas, oferecendo mundos e fundos, isentando-o de um monte de impostos, que o seu concorrente certamente estará pagando, tem esse procedimento com a mesmíssima intenção do alcagüete e quem aceita age da mesma forma. O lucro não é tudo e quando todos estivermos imbuídos desse conceito, com certeza viveremos mais harmoniosamente, atentos a tudo ao nosso lado, um colaborando com o outro e não, num “salve-se quem puder”. Esse debate precisa começar o quanto antes. É o que proponho nesse momento.
Henrique Perazzi de Aquino - RG 9.710.205-2