Nem todas as pessoas consideram os seus dias ou noites maçantes e cheios de tédio. Há, certamente, aqueles que, mesmo sem algo com que se preocupar para cobrir suas horas diárias, levam uma vida feliz e significativa. Mas, e os outros? Como conseguem consumir todos os seus momentos diários, exceto aqueles gastos com os sonos matutinos, vespertinos ou noturnos? Segundo pesquisas recentes um entre três brasileiros é afetado pelo tédio, não escapando da análise nem os ricos, os quais consomem boa parte de sua existência admirando suas belas mansões, seus formosos jardins domiciliares, seus afáveis animais e aves domésticos, suas badaladas festas e suas aprazíveis recepções de convidados. Analistas chegam a pensar que aumentando o lazer e as atividades trabalhistas os seres humanos conseguiriam superar o tédio ou ao menos minimizá-lo. Entretanto, contornar o problema não é assim tão fácil, porquanto adentrar os campos da hiperatividade não é suficiente, como se desejaria, nem mesmo envolvendo-se as pessoas com bebidas, drogas entorpecentes e outras medidas aparentemente prometedoras. Há, também, os que procuram entretenimento mental postando-se diante de determinado aparelho de televisão, mas a solução por essa simplória forma ocorre unicamente por pouco tempo, o que certo filósofo tenta justificar dizendo que “o enfado surge das entranhas do coração, onde tem as suas raízes naturais e enche a mente com o seu pernicioso veneno”, assertiva que tem tudo de uma grande verdade, máxime lembrando-se de que enquanto o importante órgão estiver cheio de dúvidas atormentadoras sobre os porquês da vida o vexatório tédio persistirá teimosamente, uma vez que o mal ou o bem pode ser fenômeno da decantada modernidade, da qual surgem perguntas como estas: Qual o significado da vida? Para onde vai a humanidade? Qual empenho que se precisa fazer para dar à vida permanente significado? Qual o remédio para as vítimas da melancolia das horas de folga? Indicar-se-ia escolher bem as distrações e os entretenimentos, relacionar-se bem com as pessoas, continuar a aprender ou descobrir os segredos da existência, ser criativo espiritualmente quanto possa e, finalmente, descobrir o real sentido da sua caminhada na terra onde foi colocado. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.