Tribuna do Leitor

Mascarando problemas


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Poucas pessoas parecem preocupar-se com a grave questão das centenas de cães soltos pelas ruas de Bauru, colocando em risco a segurança e a saúde de todos, por culpa da irresponsabilidade dos seus antigos “donos”, e também do poder público, que se omite em divulgar a posse responsável de animais e em apoiar programas de esterilização, de recolhimento, de tratamento e de adoção.

Há que se coibir, de algum modo, a insensibilidade daqueles que criam ou adquirem cães e depois os abandonam, quando não, os utilizam em rinhas, como vem acontecendo em nossa cidade. Outra prática absurda que se instalou, sem que qualquer medida contra seja tomada, são os criadouros irregulares e ilegais, que transformam em “linha de produção” a criação de cães, com intuito único de lucro imediato, a qualquer preço, em fundos de quintais, sem as mínimas condições de higiene, explorando sem trégua suas pobres matrizes.

Afora tudo isso, quando surge qualquer oportunidade, como agora, o surto de leishmaniose, inculpa-se de imediato os pobres irracionais, praticando seu extermínio puro e simples, tentando-se “mostrar serviço”, encobrindo o mau emprego das verbas públicas e mascarando um problema que é muito maior.

Exterminar fisicamente os animais é medida estúpida, imoral e inócua, tendo-se em vista as reais causas dessas epidemias: a ignorância generalizada; a posse irresponsável; os mosquitos; a imundície; a promiscuidade e a miséria dos que habitam nossos inúmeros bolsões de pobreza. Desses locais, que ninguém quer ver, a favela do Jardim América é um exemplo gritante, pois que encravada entre os bairros “de elite” da zona sul, recendendo a lixo orgânico e plástico queimado, cenário diário de agressões que nos remetem à barbárie. Com tudo isso, falar em agentes laçando cães pelas ruas, é tripudiar da inteligência do cidadão médio. Nos faz pensar que o progresso e a civilização, nesta cidade, andam de “carrocinha”...

Silvana Marcomini - RG - 9.656.407

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