Economia & Negócios

Compra de até R$ 50 é paga à vista

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O consumidor que pretende gastar até R$ 50,00 num presente de Natal no comércio de Bauru provavelmente vai pagar à vista. É o que mostra uma sondagem feita pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade, que também aponta o uso crescente do cartão de crédito para parcelamentos em até três vezes. “O consumidor não quer parcelar compras com valor menor”, afirma o presidente da CDL, Sérgio Evandro do Amaral Motta.

Segundo ele, os empresários estão animados com o grande fluxo de pessoas nas lojas desde a noite de sexta-feira, quando o comércio passou a abrir até as 22h. Por conta disso, os lojistas estão oferecendo opções das mais variadas para pagamento. O tradicional 10% de desconto à vista já chega a 20% em alguns estabelecimentos. O cartão de crédito, embora oneroso para as empresas, permite parcelamento sem juros em vezes “a perder de vista” e garante a segurança que o cheque pré-datado não permite.

De acordo com Motta, os lojistas também estão mais maleáveis para aceitar pagamento à vista, com desconto, para cheques pré. “Geralmente, o pessoal pede para deixar o cheque para coincidir com o pagamento do 13.º salário”, afirma. Segundo ele, crediário e parcelamento no cheque são opções apenas para compras mais caras, como bens duráveis (eletroeletrônicos, por exemplo).

De acordo com o comerciante Édson Vitali, proprietário de uma loja de confecções no Calçadão da Batista de Carvalho, o pagamento da primeira parcela do 13.º salário e a proximidade da segunda estimularam o consumidor a liqüidar a compra no ato. “Nestes últimos dias, por conta do 13.º, o cliente tem preferido pagar à vista”, diz.

Segundo Vitali, o medo que ronda o comércio nesta época do ano é justamente o cheque sem fundo. Por isso, diz ele, sua loja oferece parcelamento em até três vezes no cartão, sem juros. “O funcionário já está instruído a procurar fazer a venda à vista, justamente para evitar problemas futuros”, aponta.

Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, o cheque é um risco e o comércio tem procurado oferecer opções para o cliente. Segundo ele, sua loja oferece os 10% de desconto à vista mesmo quando a compra é parcelada no cartão. “Depende de cada um, mas a maioria tem feito isso. Ainda mais num momento em que as vendas parecem estar indo bem”, diz.

"Carneísta"

De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), a escolha entre pagar à vista ou parcelar está diretamente relacionada ao poder aquisitivo do consumidor. O crediário, por exemplo, é modalidade típica das classes D e E. “Hoje, o fato é que as pessoas estão sendo seduzidas a adquirir bens duráveis e, dificilmente, têm capacidade financeira para liqüidar essa compra”, afirma.

Segundo Cafeo, outro detalhe é que o chamado “carneísta” normalmente não olha a taxa de juros - apenas se a parcela cabe no orçamento. Ainda que pagar em parcelas um aparelho de DVD ou uma máquina de lavar pareça mais razoável, o economista atenta para que o consumidor não estenda o hábito para outras compras. “Quem não está pensando num bem durável, sem dúvida alguma está buscando - e deve buscar - liqüidar a fatura com o 13.º ou em três vezes no cartão, no máximo”, diz.

Conforme o JC publicou em matéria no último domingo, as vedetes deste Natal são justamente os bens duráveis, como telefone celular e eletroeletrônicos. Nestas compras, o pagamento parcelado é quase uma prerrogativa - segundo lojistas, 80% das transações são a prazo.

Para Cafeo, a explicação é que o consumidor brasileiro está mais aberto a contrair crédito neste Natal do que no de 2002, marcado pela inflação alta e o câmbio galopante. “Agora, o efeito psicológico é diferente: foi um ano difícil, mas quem está empregado está vendo perspectiva de manutenção do emprego e até de ampliação de renda. Isso faz com que o sujeito tire o pé do freio”, aponta o economista.

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