Economia & Negócios

52% não recebem 13º salário neste ano

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Neste Natal, 52% dos brasileiros não receberão o 13.º salário ou gratificações de final de ano. São milhões de autônomos, camelôs, taxistas e uma série de outros trabalhadores - formais ou informais - sem carteira assinada, sintoma cada vez mais evidente das mudanças nas relações de trabalho e do desemprego. Os números são de uma pesquisa realizada na semana passada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT)/Sensus, com 2 mil pessoas em 195 cidades.

A pesquisa também mostra que 22% dos entrevistados usarão o dinheiro extra para regularizar dívidas. Em seguida, 8,9% pretende comprar presentes para a família ou coisas para casa, enquanto 5% dos entrevistados disseram que vão destinar o 13.º para a poupança. Apenas 1,7% deles declararam que planejam usar o dinheiro para viajar neste final de ano.

Em Bauru, aqueles que não vão receber o 13.º salário contam com o 13.º dos outros para movimentar seus negócios ou já recorreram a alternativas, como a aposentadoria. O taxista Luiz Leal Mota, 73 anos, conta com sua aposentadoria de policial militar reformado para garantir o Natal de casa e de seus parentes.

“Para quem é aposentado ainda dá para tocar o barco, mas quem vive só de táxi em Bauru está numa situação difícil”, afirma. Segundo ele, o dinheiro com as corridas é suficiente para cobrir apenas um terço de suas despesas. Tentar guardar um pouco por mês para utilizar em dezembro é, segundo ele, impossível. “Não dá para guardar dinheiro, só dá para sobreviver”, diz.

Seu colega de táxi Sílvio Shikimizu Iwamoto, 52 anos, declara que tenta disciplinar os gastos ao longo do ano para garantir um “13.º salário”, mas a situação econômica em 2003 não permitiu guardar quase nada.

Para ele, que recebe aposentadoria de um salário mínimo, a oportunidade chega em dezembro, quando o movimento de passageiros aumenta. “Tem que ir controlando. Nesta época eu pego mais clientes, mas quando passa, acabou”, afirma Iwamoto.

De acordo com a autônoma Eliane Travalino Frazioli, 34 anos, que há quatro comercializa bichos de pelúcia e sandálias bordadas no Centro de Bauru, a proximidade do Natal faz com que o dinheiro extra seja até maior do que receberia como 13.º se estivesse trabalhando com carteira assinada. “As vendas triplicam nas vésperas de Natal do que no ano todo. É praticamente um 13.º, sempre acaba sobrando”, afirma.

Para ela, porém, ser funcionário de uma empresa traz garantias que o trabalho como camelô não tem. “Este ano foi muito ruim. Numa empresa, você tem garantia de receber o mesmo salário todo mês, tem convênio com plano de saúde. Aqui é assim: se vende, tem. Se não vende, não tem”, diz. Eliane conta que, além dos gastos de fim de ano, precisa guardar verba para janeiro, quando o movimento despenca e há impostos para pagar.

O 13.º dos outros também garante o Natal do marceneiro Adrián Alberto Fernandez, 30 anos. Segundo ele, o volume de serviço geralmente é maior em dezembro, o que permite destinar parte dos ganhos para despesas como presentes, ceia e, se possível, uma viagem.

Para Fernandez, o 13.º formal faz falta, assim como a relativa garantia de salário todo mês, mas ele vê mais benefícios em continuar autônomo. “Como autônomo há a possibilidade de ganhar mais. Numa empresa, você ganha um salário em 30 dias. Às vezes, consigo tirar um salário em poucas horas”, afirma, acrescentando que não quer mais saber de carteira assinada: “Detesto patrão, por isso optei por trabalhar por conta: meu patrão sou eu mesmo”.

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Sem viagem

A pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT)/Sensus indica que, de 2 mil entrevistados, 81,1% não pretendem viajar no período de férias - 16% vão passear e 2,9% ainda não sabem. Dos que pretendem viajar, 49,2% irão de ônibus, 42,9% viajarão de carro, 3,1% vão de avião e 1,3% de trem.

A maior parte, 41,7%, tem como destino uma cidade litorânea. Da população que pretende viajar nas férias, a maioria, 57,1%, ficará hospedada em casa de parentes, seguida de 16,3% que se hospedarão na casa de amigos. Hotéis respondem por 11,6% e casa própria de veraneio será o destino de 8,5%.

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