Autoridades do País, especialmente através de órgãos específicos do Ministério da Saúde, estão levando a efeito campanha contra o abuso excessivo do fumo, notadamente através de cigarros e charutos, tidos como produtores absolutos do câncer pulmonar. Corajosamente planejado, o movimento está todo voltado contra vários aspectos do amplíssimo setor, sem esquecer as elásticas propagandas publicitárias sobre a matéria, incisivo agente poluente que gera a indefectível doença. Não só no Brasil, porém, o grave problema vai sendo enfrentado com todo rigor, acoplado sobre a idéia de exterminá-lo urgentemente, pois, se em nossa desprotegida terra o gravíssimo tipo de enfermidade ocupa o primeiro lugar em sua incidência, em muitas outras nações desenvolvem-se campanhas idênticas uma vez que o terrível tumor mata anualmente milhões de indivíduos do sexo masculino e quase isso do feminino. O mal é tão persuasivo que, desde o início do século anterior, ele tem acontecido com aumento progressivo, garantindo os clínicos que o indivíduo que fuma, durante vários ano, um maço de cigarros por dia, torna-se candidato a ter câncer broncogênico ao atingir a idade de 45 anos para diante.
Os sintomas do câncer não têm nada de específico, sendo os mais variáveis a tosse, dor toráxica, derrames pleurais e aparecimento de focos pneumônicos de evolução lenta, interpretados, na maioria das vezes, como simples gripes com ocorrências de escarros sanguinolentos. Sabe-se que dentre os poluentes realmente mais nocivos à saúde, porque muito ativos são os vapores derivados do petróleo e os gases químicos da mineração do cobre de urânio, porém o mais agressivo sob todos os pontos de vista é, sem dúvida, a combustão do cigarro, considerado pela terminologia científica como a doença dos fumantes.
Daí, se os governos federais, estaduais e municipais têm como ponto de honra resguardar a saúde de suas populações têm de incumbir-se mesmo de procurar eliminar da face de seus territórios algo como o fumo, vocacionado para satisfazer gostos humanos, mas também sacrificar vidas usuárias. Duvida-se que apenas sufocar a propaganda que se faz do cigarro e dos charutos será suficiente para que a maioria dos fumantes chutem para longe o funesto vício, mas o pouco de resultado que produzir será bastante para que mereça os aplausos da sociedade. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.