Embora demore para o reflexo chegar ao consumidor final, as sucessivas reduções na taxa básica de juros, hoje em 17,5% ao ano, está aquecendo o mercado de financiamento de veículos novos e seminovos. Nesta semana, a Caixa Econômica Federal (CEF) retomou sua linha de financiamento de automóveis, com taxa mínima de juros a 1,8% ao mês. O Banco do Brasil (BB) também oferece uma linha semelhante, assim como montadoras.
No caso da Chevrolet, um financiamento de 24 meses cobra juros em torno de 1,65% ao mês. “É uma taxa que está bem agressiva no mercado”, afirma a gerente de negócios Iraci Almeida de Oliveira, de uma concessioniária da marca em Bauru. Segundo ela, os veículos populares são o principal alvo da linha, que abrange, além de novos, carros de 1997 a 2003.
Na CEF, o financiamento tem prazo de amortização em até 36 meses, com taxas mensais que variam de 1,8% a 3,6%. O limite máximo de crédito é equivalente a 85% do valor do veículo com até cinco anos de fabricação, com mínimo de R$ 1.000,00 e teto de R$ 35 mil. No BB, com taxa de 2,65%, o prazo é de até 42 meses, com limite mínimo de financiamento de R$ 2 mil e máximo de até 80% do valor do bem para automóveis novos e 90% para usados.
De acordo com Iraci, a redução nas taxas de juros, aliada à redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos desde o início do segundo semestre, tem contribuído para uma boa performance do setor neste final de ano. “No meio do ano houve uma parada muito grande nas vendas, e agora o pessoal está sentindo o aquecimento”, diz.
Para o gerente de vendas Renato Tâmbara Neto, de uma concessionária Volkswagen, o relativo aquecimento da economia brasileira está “animando” o consumidor. “Desde o início deste segundo semestre, quando houve a redução do IPI, nós estamos tendo aumento crescente e contínuo de vendas mês a mês”, afirma. Ele revela que os meses de outubro e novembro deste ano registraram 28% a mais de vendas do que em 2002.
Segundo Tâmbara, a queda na taxa de juros também tem estimulado os clientes a contrair financiamento - em julho, diz ele, o juro médio era de 2,2%. Hoje é de 1,69%. “Essa diminuição equivale de R$ 30,00 a R$ 40,00 a menos em cada parcela”, diz. E completa: “O financiamento corresponde entre 60% e 70% das vendas de carros novos e usados”.
De acordo com o gerente, as montadoras - que mesmo com o aumento nas vendas estão com os pátios cheios - não repassam aumentos para os veículos há, pelo menos, quatro meses. Mesmo o dissídio dos metalúrgicos, que tiveram os salários reajustados em 18,5%, teria sido absorvido pelas empresas. “Estão fazendo até o impossível para facilitar as vendas”, aponta Tâmbara.
No setor de carros usados, o financiamento também é a principal modalidade de compra. “A cada dez carros vendidos aqui, oito são financiados, independentemente do ano ou do valor”, afirma Alessandro Martinelli, proprietário de um estacionamento de seminovos.
Segundo ele, ainda que a redução na taxa básica não influa de imediato no preço final dos veículos, os clientes estão “psicologicamente animados” para negociar e comprar. “De agosto em diante, as vendas começaram a melhorar muito com a queda nas taxas de juros”, afirma Martinelli, que acrescenta: “Para o setor de usados, foi um ano muito bom. As vendas estão, tranqüilamente, 20% maiores do que em 2002”.